Valorização da commodity impulsiona mercado, enquanto custos e demanda enfraquecida pressionam o setor de esmagamento
O mercado da soja vive um momento de contrastes em Mato Grosso. Enquanto os produtores comemoram a maior cotação do ano para a commodity, a indústria de processamento enfrenta uma realidade bem diferente, marcada pela queda nas margens de lucro e por desafios que colocam em xeque a rentabilidade do setor. O cenário evidencia que preços elevados nem sempre significam ganhos para toda a cadeia produtiva.
Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a soja fechou julho com preço médio de R$ 116,74 por saca, avanço de 9,49% em relação a junho e de 3,91% na comparação com o mesmo período do ano passado. A valorização foi impulsionada pela alta das cotações na Bolsa de Chicago e pela forte demanda pela soja brasileira, que elevou os prêmios de exportação.
Desafio para o setor
Apesar da valorização do grão, a margem de esmagamento da indústria recuou mais de 20% no período. Entre os principais fatores estão a desaceleração da demanda por óleo de soja destinado ao consumo humano e industrial, além da expectativa frustrada de aumento da mistura obrigatória de biodiesel, que não se concretizou em julho. A concorrência com o DDG, coproduto do milho utilizado na alimentação animal, também tem reduzido a competitividade do segmento.
A expectativa do mercado é de um segundo semestre mais equilibrado, com menor ritmo nas exportações e maior oferta de soja voltada ao mercado interno. Ainda assim, especialistas avaliam que o setor precisará conviver com margens mais apertadas e buscar eficiência para enfrentar um cenário em que os preços seguem atrativos para o produtor, mas insuficientes para garantir o mesmo desempenho financeiro da indústria de processamento.