Gostamos de acreditar que planejamos a vida. Montamos metas de cinco anos, desenhamos estratégias, construímos cronogramas, e imaginamos que basta executar o plano para chegar ao destino desejado. A realidade, porém, costuma ser bem diferente.
Ao longo da minha trajetória profissional, aprendi que praticamente todos os grandes momentos da minha carreira nasceram de acontecimentos que eu jamais poderia ter planejado: uma ligação inesperada; um convite para trabalhar em outro país; uma conversa informal; uma crise que parecia um problema, mas acabou abrindo portas muito maiores...
Percebi que liderança não é controlar tudo. É estar preparado para quando a vida mudar o roteiro. É aceitar que o planejamento de hoje não é feito em cima de um mapa do “Guia 4 rodas”, mas, sim, feito em cima de um mapa do “Waze”. E, que o “recalculando rota” é parte vital do plano.
Os líderes mais maduros não gastam energia tentando controlar o incontrolável. Eles desenvolvem capacidade de adaptação, aceitam que o mundo muda, que os mercados mudam, e que as pessoas também mudam. E que eles próprios precisam continuar mudando.
Talvez o verdadeiro planejamento não seja prever o futuro. Seja desenvolver competências suficientes para enfrentar qualquer futuro que apareça.
Felício Ferraz trabalhou como executivo de empresas multinacionais como Shell e Souza Cruz; é conselheiro, professor, empreendedor em série; e ex-CEO da BAT - British American Tobacco - no Caribe, America Central, Sri Lanka, e Caucasus.