Estudo revela que participação feminina domina a força de trabalho do mercado segurador, enquanto a presença nas posições de liderança ainda avança em ritmo lento
Embora sejam maioria no mercado de seguros brasileiro, as mulheres ainda enfrentam um obstáculo persistente quando o assunto é ocupar os postos mais altos da hierarquia. O contraste entre a forte presença feminina na base e a baixa representatividade em cargos estratégicos evidencia que o chamado “teto de vidro” continua sendo uma realidade no setor. Os dados mostram que elas representam cerca de 55% da força de trabalho, mas permanecem sub-representadas nas funções de liderança e, principalmente, nos cargos de alta gestão.
A desigualdade também se reflete no comportamento do consumidor. Apesar de as mulheres exercerem papel decisivo na contratação de seguros para famílias e patrimônios, sua participação nas decisões estratégicas das empresas ainda está distante da proporção observada entre os colaboradores do setor. Especialistas apontam que fatores estruturais, como menor acesso a redes de influência, oportunidades de visibilidade e áreas tradicionalmente ligadas ao comando das companhias, ajudam a explicar essa diferença.
Teto de vidro
Levantamentos recentes indicam que o desafio não é exclusivo do mercado segurador. Em diferentes segmentos da economia, as mulheres já representam quase metade da força de trabalho, mas ocupam apenas cerca de um terço das posições de liderança. No Brasil, o cenário apresenta ligeira melhora em relação à média mundial, porém a evolução desacelerou nos últimos anos, reforçando a necessidade de políticas voltadas à promoção da diversidade e da igualdade de oportunidades dentro das empresas.
Para entidades e especialistas do setor, ampliar a presença feminina nas posições de decisão não representa apenas uma questão de equidade, mas também uma estratégia capaz de impulsionar inovação, desempenho e resultados financeiros. A expectativa é que iniciativas de mentoria, programas de desenvolvimento de lideranças e ações voltadas à inclusão contribuam para reduzir a distância entre a participação das mulheres na força de trabalho e sua representatividade no topo das organizações, tornando o mercado de seguros mais diverso e competitivo.