Comportamento dócil de felino ameaçado de extinção levanta suspeita de criação ilegal em ambiente doméstico
A delicadeza de um filhote de gato-maracajá contrastava com a situação em que foi encontrado. Magro, desidratado e bastante debilitado, o pequeno felino foi resgatado em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, e agora recebe cuidados veterinários. Além do estado de saúde, outro detalhe chamou a atenção dos especialistas: a docilidade incomum para um animal silvestre, o que levanta a hipótese de que ele tenha sido mantido por algum tempo em ambiente doméstico.
De acordo com a Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), o comportamento apresentado pelo filhote não é esperado para animais da espécie criados em liberdade. A suspeita é de que ele tenha sido vítima de criação irregular, prática que configura crime ambiental quando realizada sem autorização dos órgãos competentes. O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades ambientais.
Reabilitação e alerta
Após o resgate, o gato-maracajá foi encaminhado para atendimento veterinário, onde permanecerá até recuperar peso, hidratação e condições clínicas adequadas. Na sequência, ele será submetido a um processo de reabilitação para readquirir os comportamentos necessários à sobrevivência em seu habitat natural. Somente depois dessa etapa será avaliada a possibilidade de devolvê-lo à natureza.
A Fujama reforça que animais silvestres nunca devem ser capturados ou criados como animais de estimação. A orientação é que, ao encontrar qualquer espécie nativa em situação de risco, a população acione imediatamente os órgãos ambientais responsáveis, evitando qualquer intervenção que possa comprometer a saúde do animal ou dificultar seu retorno ao ambiente natural. O caso do filhote de gato-maracajá serve como alerta para os riscos do tráfico e da criação ilegal de fauna silvestre, especialmente de espécies ameaçadas de extinção.