Pressão de federações, ligas e dirigentes faz presidente da Fifa desistir de projeto que abriria espaço para investidores
A ideia prometia revolucionar o modelo de negócios do maior torneio do futebol mundial, mas encontrou uma resistência ainda maior do que a expectativa de arrecadação. Diante da forte reação de federações, ligas, clubes e dirigentes, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, desistiu do controverso projeto que previa a venda de participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. A decisão representa uma das maiores derrotas políticas de sua gestão, e evita uma crise institucional que ameaçava dividir o futebol internacional.
A proposta previa a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), empresa responsável por administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e de outras competições da entidade, permitindo a entrada de capital privado em um negócio avaliado em cerca de US$ 20 bilhões. Embora a FIFA garantisse que manteria o controle das decisões esportivas, críticos afirmavam que o projeto abriria caminho para a privatização parcial do principal patrimônio do futebol mundial. A oposição ganhou força rapidamente, com a UEFA, a Concacaf, e outras entidades demonstrando forte insatisfação, enquanto dirigentes chegaram a discutir medidas mais duras, incluindo a possibilidade de boicotes a competições organizadas pela entidade.
Reação mundial
Diante da pressão crescente, Infantino anunciou a retirada do projeto, e reconheceu que a iniciativa havia provocado divisões profundas entre as associações nacionais. Segundo o dirigente, após ouvir diferentes posicionamentos, ficou evidente que a proposta já não atendia ao objetivo de fortalecer a união do futebol. O recuo ocorreu antes mesmo de o tema ser submetido à votação prevista para os próximos meses, evidenciando a falta de apoio político necessário para sua aprovação.
Apesar da desistência, o episódio expôs o desgaste enfrentado pela atual administração da FIFA, e reacendeu o debate sobre os limites da exploração comercial do futebol. Para jornalistas e dirigentes, a tentativa de abrir espaço para investidores privados em um dos ativos mais valiosos do esporte levantou preocupações sobre governança, transparência, e autonomia das competições. Mesmo arquivado, o projeto deixa claro que futuras mudanças estruturais na gestão da Copa do Mundo dificilmente avançarão sem amplo consenso entre as principais confederações e federações nacionais.