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Democracia do samba une perfis opostos e transforma diversidade em força na disputa da Mangueira

01/08/2026 13:29 Por Redação NTD

Grupo liderado por Jaque Guedes reúne profissionais de diferentes origens e mostra que a roda de samba continua sendo um dos maiores símbolos de união do Brasil

Quando o tantã começa a marcar o compasso, desaparecem os títulos, os cargos e as diferenças sociais. Na roda de samba, o que vale é o talento, o respeito e a paixão pela música. É essa essência que move o grupo Jaque Guedes e Cia, liderado pela compositora, produtora e ativista Jaque Guedes, nascida e criada no Morro da Mangueira, que transformou a diversidade de seus integrantes em uma poderosa mensagem de união ao entrar na disputa pelo samba-enredo da Mangueira para o Carnaval de 2027.

Formado por seis integrantes com trajetórias completamente distintas, o grupo representa diferentes retratos do Brasil. Entre eles está Marcio Juniot, publicitário premiado internacionalmente, com mais de duas décadas de carreira entre Brasil e Estados Unidos e atualmente radicado em Nova Iorque, que retorna ao Rio para manter viva sua ligação com o samba. Também integra o time Rodolfo Caruso, de 62 anos, mecânico de aeronaves, professor da Faetec, poeta e autor de quatro livros, que ganhou destaque durante a pandemia ao realizar cem lives de samba a capela.

Seis histórias, um só compasso

O grupo ainda reúne Luiz Fernando, advogado e compositor do movimento Samba na Fonte; Alexandre de Salles, filósofo, pedagogo e aderecista responsável por fantasias e alas de escolas de samba; além de Juarez Amizade, guardador de carros e cantor desde os anos 1980, com passagens por Portela, Grande Rio e Império Serrano, onde integra a ala de compositores. À frente de todos está Jaque Guedes, campeã do Canto Afro 2023, educadora há duas décadas e produtora de tradicionais rodas de samba como a Rede Carioca das Rodas de Samba, Gloriosa e Black In Verde Rosa, além de instrumentista de tantã, repique, reco-reco e tamborim.

Para Jaque Guedes, o samba continua sendo um dos poucos espaços onde as diferenças deixam de separar as pessoas. “O samba me ensinou que a gente não precisa ser igual para ser irmão. Na roda, ninguém pergunta onde você mora ou quanto você ganha. Pergunta se você sabe sambar”, resume a compositora. Com essa filosofia, o Jaque Guedes e Cia leva para a disputa do samba-enredo de 2027 não apenas uma composição, mas uma mensagem de resistência, pertencimento e convivência, reforçando que a verdadeira democracia brasileira ainda encontra abrigo no coração das rodas de samba.