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Marcas que Conectam

Os 10 padrões que mais impedem empresas de crescer — e que pouca gente percebe

31/07/2026 18:00 Por Marcia Fialho

Depois de mais de quatro décadas trabalhando com marcas, acompanhando empresários de diferentes setores, e estudando comportamento do consumidor, comecei a perceber uma coisa curiosa. Os problemas mudam de nome, de segmento, e de tamanho, mas muitos seguem exatamente o mesmo padrão. Não é falta de inteligência. Nem falta de competência.

Na maioria das vezes, o que impede uma empresa de avançar é a dificuldade de perceber o próprio problema enquanto está vivendo dentro dele. Quando estamos mergulhados na rotina, enxergamos apenas o que está à nossa frente. Os padrões ficam invisíveis.

Listei aqui dez dos comportamentos que mais encontro ao analisar empresas e profissionais.

1 Esperar a crise para agir

A mudança só acontece quando o concorrente já avançou demais ou quando as vendas começam a cair. Quem decide apenas pelo desespero, normalmente também decide sem critério.

2 Confundir popularidade com competência

Um profissional famoso pode ser excelente. Mas fama não necessariamente significa metodologia. Nem sempre quem é uma ótima escolha para milhares de pessoas será quem resolverá o seu problema.

3 Valorizar apenas o tangível

É natural admirar uma marca bonita, um perfil cheio de seguidores, um escritório sofisticado. O difícil é enxergar o trabalho estratégico que tornou tudo isso possível.

4 Adiar decisões importantes

O clássico "depois eu vejo" costuma parecer prudência. Na prática, muitas vezes é apenas uma forma inconsciente de prolongar um problema.

5 Copiar o concorrente

Copiar uma identidade visual, um slogan ou um estilo de comunicação raramente produz o mesmo resultado do original. Você está copiando a aparência, não o raciocínio que construiu aquela marca.

6 Desconfiar de todo o mercado

Depois de uma experiência negativa ao tentar ajustar a comunicação da empresa, muita gente conclui que todos os profissionais desta área são iguais. Esse tipo de generalização costuma impedir boas decisões futuras.

7 Decidir baseado no que todo mundo fez

"Se aquela empresa contratou, deve ser bom. Se agiram desta forma, deve dar certo". Nem sempre. Critério emprestado nunca substitui critério próprio.

8 Investir quando já ficou muito mais caro

Quanto mais um problema cresce, maior costuma ser o investimento necessário para corrigi-lo. Muitas dificuldades poderiam ser resolvidas com muito menos esforço se fossem percebidas no início.

9 Procurar atalhos

Promessas rápidas costumam ser sedutoras. Mas empresas sólidas quase nunca são construídas por soluções milagrosas.

10 Abandonar a estratégia cedo demais

Muitas boas decisões são interrompidas antes de produzir resultado. A ansiedade vence a consistência.

E, a cada uma dessas ações, o ciclo recomeça.

O interessante é que nenhum desses padrões tem relação com capacidade intelectual. Eles aparecem porque todos nós temos dificuldade de enxergar o próprio negócio com distanciamento. É muito mais fácil identificar um problema quando ele acontece na empresa dos outros do que quando acontece na nossa.

Talvez seja justamente por isso que algumas decisões mudam completamente de qualidade quando alguém investiga fazendo as perguntas certas. Antes de procurar uma solução, é preciso ter certeza de que o diagnóstico está correto. Caso contrário, corre-se o risco de investir tempo, energia, expectativas… E dinheiro, resolvendo o problema errado.

Ao longo dos anos, aprendi que quase nunca a primeira resposta é a verdadeira. O que aparece na superfície costuma ser apenas o sintoma. O verdadeiro trabalho começa quando deixamos de tratar os sintomas e passamos a compreender a causa. E é justamente essa diferença que separa mudanças passageiras de transformações que realmente fazem uma empresa crescer.

@marciafialhobranding

Marcia Fialho é designer estrategista de marcas, especialista em Neurobranding, com mais de 40 anos de experiência em branding e comunicação. Nesta coluna semanal, compartilha reflexões e estratégias para empresas que desejam fortalecer sua marca e se adaptar ao mercado atual.

Marcia Fialho é designer estrategista de marcas, especialista em Neurobranding, com mais de 40 anos de experiência em branding e comunicação. Nesta coluna semanal, compartilha reflexões e estratégias para empresas que desejam fortalecer sua marca e se adaptar ao mercado atual.