Ameaça de não disputar torneios da Fifa amplia crise no futebol mundial e levanta dúvidas sobre o Mundial no Brasil
A Copa do Mundo Feminina de 2027, marcada para ser disputada no Brasil, entrou inesperadamente no centro de uma disputa política que pode mudar os rumos do futebol mundial. A ameaça da UEFA de boicotar todas as competições organizadas pela Fifa, caso a entidade avance com o projeto de vender participação em seus torneios para investidores privados, acendeu um sinal de alerta sobre o futuro da competição. Se a promessa for levada adiante, algumas das principais seleções do planeta poderão ficar fora do Mundial, esvaziando o torneio que marcará a primeira edição da Copa Feminina realizada na América do Sul.
A posição da entidade europeia representa o maior enfrentamento institucional entre UEFA e Fifa em décadas. Em comunicado oficial, a confederação afirmou que a Copa do Mundo “não está à venda” e criticou duramente a proposta do presidente Gianni Infantino de criar uma empresa para administrar comercialmente as competições da Fifa. Para os dirigentes europeus, permitir a entrada de investidores privados significaria transformar o futebol em um ativo financeiro, colocando interesses econômicos acima da tradição esportiva. O impasse pode atingir diretamente eventos futuros, entre eles a Copa do Mundo Feminina de 2027, que tem o Brasil como país-sede e depende da participação das maiores potências para alcançar o sucesso esportivo e comercial esperado.
Mundial ameaçado
Caso a ameaça de boicote se concretize, seleções como Inglaterra, Espanha, Alemanha, França, Itália, Holanda e Suécia — protagonistas das principais competições femininas do mundo — poderão ficar fora dos torneios organizados pela Fifa. A ausência dessas equipes reduziria significativamente o nível técnico da Copa do Mundo Feminina de 2027, além de afetar audiência, patrocínios, direitos de transmissão e o interesse internacional pelo evento. O cenário também representaria um duro golpe para o Brasil, que conquistou o direito de sediar o Mundial com a expectativa de promover o maior evento da história do futebol feminino no país.
A proposta defendida por Gianni Infantino prevê a criação de uma subsidiária para administrar comercialmente torneios da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, com a possibilidade de venda de participação para investidores privados. A entidade máxima do futebol argumenta que a medida aumentaria receitas e ampliaria investimentos no esporte. A reação da UEFA, porém, foi imediata e contundente, prometendo não participar de competições organizadas sob esse modelo. Com isso, a crise ultrapassa os bastidores da política esportiva e passa a lançar incertezas sobre o futuro de competições históricas, incluindo o Mundial Feminino de 2027, que o Brasil se prepara para receber.