No mês do Autocuidado, médicos destacam que tecnologia e medicamentos são aliados importantes, mas não substituem acompanhamento profissional
Em um cenário em que cada vez mais brasileiros recorrem à internet em busca de respostas sobre a própria saúde, especialistas fazem um alerta: o chamado “autocuidado de feed” pode representar mais riscos do que benefícios. Dados apontam que 60% da população pesquisa sintomas no Google e nas redes sociais antes de procurar um médico, comportamento que pode levar a diagnósticos equivocados, mascarar doenças graves e estimular práticas sem embasamento científico. No mês do Autocuidado, celebrado julho, a recomendação é clara: a tecnologia deve servir como porta de entrada para o atendimento médico, e não como substituta da avaliação profissional.
Para enfrentar esse desafio, o setor de saúde vem investindo em ferramentas capazes de aproximar pacientes dos especialistas. Um dos exemplos é o leitor facial integrado ao aplicativo Blua, da Care Plus, que utiliza a câmera do celular para medir indicadores de saúde em cerca de 30 segundos. Segundo a empresa, usuários da ferramenta chegam a utilizar os serviços de telemedicina até quatro vezes mais, demonstrando que a tecnologia pode estimular a busca por orientação médica qualificada em vez de incentivar o autodiagnóstico.
Tecnologia aliada aos bons hábitos
A médica credenciada da rede Care Plus, Dra. Fernanda Cavaliere, destaca que o maior desafio da medicina atualmente não é o acesso à informação, mas a qualidade das decisões tomadas a partir dela. Segundo a especialista, a autonomia do paciente só produz resultados positivos quando está inserida em um ambiente seguro, capaz de direcionar corretamente cada pessoa ao atendimento adequado e reduzir os impactos da desinformação na saúde física e mental.
O avanço das canetas emagrecedoras também integra esse novo cenário do tratamento da obesidade. De acordo com o Ipsos Health Service Report 2025, 58% dos brasileiros já conhecem esses medicamentos, reconhecendo sua eficácia no controle do apetite e na perda inicial de peso. Apesar dos avanços, especialistas reforçam que nenhum tratamento oferece resultados duradouros sem a combinação de alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico contínuo. A mensagem central do Dia do Autocuidado é que a tecnologia e os medicamentos são importantes aliados, mas o verdadeiro sucesso no combate à obesidade continua fundamentado em hábitos saudáveis e em cuidados orientados pela ciência.