Datroway passa a ser indicado para pacientes com mutação genética específica que já realizaram terapias anteriores sem sucesso
Pacientes com um tipo avançado de câncer de pulmão passaram a contar com uma nova alternativa terapêutica no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação da indicação do medicamento Datroway® (datopotamabe deruxtecana) para o tratamento de adultos com câncer de pulmão de não pequenas células em estágio localmente avançado ou metastático, desde que apresentem mutação no gene EGFR e já tenham sido submetidos anteriormente à quimioterapia à base de platina e a terapias-alvo específicas. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e representa mais uma opção para pacientes que esgotaram as linhas convencionais de tratamento.
O Datroway é um anticorpo conjugado a um agente quimioterápico que atua levando o medicamento diretamente às células tumorais, buscando aumentar a eficácia do tratamento e reduzir danos aos tecidos saudáveis. A aprovação da Anvisa foi baseada em estudos clínicos que demonstraram benefícios para pacientes com doença avançada e poucas alternativas terapêuticas. O câncer de pulmão continua sendo uma das principais causas de morte por câncer no mundo, tornando a incorporação de novas terapias um avanço importante para a oncologia.
Nova opção terapêutica
Segundo a Anvisa, a nova indicação amplia o uso de um medicamento que já possuía registro no país para outra finalidade oncológica. A autorização contempla um grupo específico de pacientes com mutação no EGFR, alteração genética presente em parte dos casos de câncer de pulmão de não pequenas células. Especialistas destacam que terapias direcionadas como essa representam um avanço da medicina de precisão, permitindo tratamentos mais individualizados conforme as características do tumor de cada paciente.
A aprovação regulatória não significa que o medicamento será disponibilizado imediatamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, ainda são necessárias etapas de avaliação sobre incorporação e financiamento da tecnologia pelos órgãos competentes. Enquanto isso, a decisão da Anvisa amplia as possibilidades de tratamento no país e reforça o avanço das terapias-alvo e da medicina personalizada no combate ao câncer de pulmão, uma doença que frequentemente é diagnosticada em estágios avançados.