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Mortes violentas caem no Brasil, mas feminicídios seguem em alta

23/07/2026 13:36 Por Redação NTD

Anuário de Segurança Pública aponta menor índice de violência letal da série histórica, enquanto assassinatos de mulheres por razões de gênero continuam crescendo

O Brasil registrou uma importante redução nas mortes violentas intencionais em 2025, mas um dado continua acendendo o sinal de alerta das autoridades: o aumento dos feminicídios. De acordo com a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira, 23, a taxa de mortes violentas caiu 8,2% em relação ao ano anterior, atingindo o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012. Apesar desse avanço, os assassinatos de mulheres motivados por questões de gênero cresceram 4%, mostrando que a violência contra a mulher permanece como um dos maiores desafios da segurança pública no país.

O levantamento revela que a taxa nacional de mortes violentas intencionais passou de 20,6 para 19,1 casos por 100 mil habitantes entre 2024 e 2025, resultado atribuído à redução de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial em diversas regiões do país. Ao mesmo tempo, os dados mostram que a violência de gênero seguiu trajetória oposta, com 1.571 mulheres vítimas de feminicídio no ano passado, o maior percentual de assassinatos de mulheres por essa motivação desde que o crime foi tipificado na legislação brasileira.

Contraste preocupante

Especialistas avaliam que os números demonstram uma realidade paradoxal. Enquanto políticas de segurança pública e ações de combate ao crime organizado têm contribuído para reduzir os índices gerais de violência letal, a proteção às mulheres ainda apresenta falhas importantes. O anuário também chama atenção para o crescimento das mortes provocadas por violência doméstica e familiar e reforça a necessidade de ampliar medidas de prevenção, fortalecer a rede de acolhimento às vítimas e garantir respostas mais rápidas das autoridades diante de denúncias de agressão.

Os dados reforçam que a melhora nos indicadores gerais de segurança não significa que todos os tipos de violência estejam diminuindo. Pelo contrário, o avanço dos feminicídios evidencia que o enfrentamento à violência contra a mulher exige políticas públicas específicas, investimentos contínuos e maior integração entre órgãos de segurança, Justiça e assistência social. Para os pesquisadores responsáveis pelo levantamento, reduzir os homicídios em geral é um avanço importante, mas o crescimento dos crimes de gênero mostra que o país ainda está distante de garantir proteção efetiva às mulheres.