Espetáculo protagonizado por Cyda Moreno estreia em agosto no Teatro Correios Léa Garcia
Cinco anos após sua estreia, o espetáculo “Luiza Mahin… Eu ainda continuo aqui” volta aos palcos do Rio de Janeiro reafirmando seu compromisso com a memória, a ancestralidade e a denúncia do extermínio da juventude negra. Idealizada e protagonizada pela atriz e produtora Cyda Moreno, a montagem estreia no dia 6 de agosto, às 19h00, no Teatro Correios Léa Garcia, no Centro da capital fluminense, integrando a programação do Agosto Lilás, campanha nacional de enfrentamento à violência contra a mulher.
Premiada em diversos festivais, a peça tem texto de Márcia Santos e parte da carta escrita por Luiz Gama sobre sua mãe, Luiza Mahin, além de relatos reais de mães que perderam seus filhos para a violência. A dramaturgia transforma essas histórias em um potente manifesto cênico sobre racismo estrutural, memória coletiva e resistência. Com trilha sonora original executada ao vivo pelo elenco, a montagem é dirigida por Édio Nunes, com direção musical e preparação vocal de Jorge Maya.
Rconhecimento e compromisso social
Reconhecida nacionalmente por sua atuação na novela “Dona de Mim”, da TV Globo, Cyda Moreno construiu uma carreira dedicada à valorização de personagens negras de forte relevância histórica e social. Nos palcos, já interpretou personalidades como Carolina Maria de Jesus e Nina Simone, reafirmando seu compromisso com narrativas que dialogam com questões raciais, sociais e culturais. Doutoranda pela UNIRIO e mestre em Ensino de Artes Cênicas, a atriz também desenvolve projetos culturais e educativos em uma escola pública da Mangueira.
Segundo Cyda Moreno, a retomada da peça ao Rio reforça a atualidade da discussão proposta pela obra. “É uma violência contra a mulher negra quando seus filhos são exterminados na periferia. Trazer Luiza Mahin de volta ao Rio, após cinco anos, é destacar que essa história não terminou e permanece viva na cidade carioca, sobretudo nos morros e favelas. A personagem simboliza todas as mulheres negras que seguem lutando pela sobrevivência de seus filhos. O que está em cena é o presente do Brasil”, conclui a atriz.