Tribunal identifica técnica de prompt injection em ação protocolada em nome de Arilson Chiorato; OAB e Corte abriram investigações
A evolução da inteligência artificial ganhou um novo e polêmico capítulo no Paraná. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) revelou ter identificado comandos ocultos inseridos em uma petição protocolada em nome do deputado estadual Arilson Chiorato (PT), presidente do partido no estado, em uma tentativa de influenciar o comportamento da IA utilizada pelo órgão. Embora não tenha havido invasão de sistemas ou quebra de barreiras digitais, a estratégia chamou atenção por buscar interferir diretamente na análise automatizada do processo. A manobra, considerada sofisticada, foi detectada antes de produzir qualquer efeito, evitando que a tramitação da ação fosse alterada e acendendo um alerta sobre os riscos do uso indevido da inteligência artificial no setor público.
A petição, composta por 26 páginas, solicitava a suspensão da licitação bilionária do programa de segurança pública “Olho Vivo”, do Governo do Paraná. Segundo o TCE-PR, o documento continha diversos trechos escondidos por meio de fonte branca e tamanho reduzido, tornando-os praticamente invisíveis durante uma leitura comum. Esses comandos orientavam a inteligência artificial a classificar o caso como de “urgência máxima”, sugeriam o encaminhamento do processo para conselheiros específicos e recomendavam a concessão imediata da liminar. O Tribunal destacou que os mecanismos de segurança identificaram rapidamente a tentativa de prompt injection, impedindo qualquer influência sobre o sistema. Com isso, o processo foi distribuído normalmente por sorteio eletrônico, preservando o rito previsto em lei e evitando qualquer tratamento diferenciado.
Apuração e repercussão
Após a divulgação do caso, o deputado Arilson Chiorato afirmou oficialmente que desconhecia a existência das instruções ocultas presentes na petição apresentada em seu nome. O assessor responsável pelo protocolo e envio do documento também negou qualquer intenção de manipular a inteligência artificial ou de obter vantagem na tramitação da ação. Apesar das negativas, o episódio provocou forte repercussão por levantar questionamentos sobre quem inseriu os comandos escondidos, qual era o objetivo da estratégia, e se houve tentativa deliberada de influenciar uma decisão administrativa por meios tecnológicos invisíveis aos olhos humanos.
A gravidade do episódio levou à abertura de investigações em diferentes frentes. A Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR) instaurou um procedimento ético para apurar eventuais responsabilidades dos envolvidos, enquanto o próprio Tribunal de Contas iniciou uma investigação interna para rastrear a origem da formatação fraudulenta do arquivo. O caso também reacendeu o debate sobre os limites da inteligência artificial no Poder Público, e sobre as novas formas de manipulação digital que podem comprometer a transparência e a imparcialidade dos processos administrativos. Ainda que a tentativa tenha fracassado, a descoberta expôs uma vulnerabilidade preocupante, e reforçou a necessidade de mecanismos cada vez mais rigorosos para impedir que tecnologias inovadoras sejam usadas como ferramenta para tentar influenciar decisões oficiais.