Levantamento aponta que o estado figura entre os três com maior área devastada pelo fogo desde 1985
O fogo deixou marcas profundas em Mato Grosso nas últimas quatro décadas. Um levantamento baseado em dados históricos do MapBiomas revelou que o estado está entre os três mais atingidos pelas queimadas no Brasil desde 1985, cenário que evidencia a frequência dos incêndios e seus impactos sobre os biomas, a biodiversidade, a economia e a qualidade de vida da população. O estudo reforça que o avanço das queimadas está diretamente ligado à combinação de estiagens prolongadas, mudanças climáticas e ação humana, fatores que tornam a região cada vez mais vulnerável.
Segundo os dados apresentados, Mato Grosso acumula milhões de hectares consumidos pelo fogo ao longo dos últimos 40 anos, ficando atrás apenas de outros dois estados no ranking nacional. A situação preocupa principalmente porque o território mato-grossense abriga parte de três importantes biomas brasileiros — Pantanal, Cerrado e Amazônia —, todos severamente afetados pelos incêndios recorrentes. Além da destruição da vegetação nativa, as queimadas comprometem a fauna, degradam o solo, reduzem a qualidade do ar e provocam prejuízos econômicos para produtores rurais e comunidades locais.
Impactos crescentes
Especialistas alertam que o aumento da temperatura, os longos períodos de seca e a baixa umidade do ar criam condições favoráveis para a propagação das chamas. Em anos mais críticos, como os registrados recentemente, milhares de focos de incêndio foram identificados em Mato Grosso, exigindo operações intensas do Corpo de Bombeiros e de brigadistas para conter o avanço do fogo. O cenário também afeta diretamente a saúde da população, com o aumento de problemas respiratórios causados pela fumaça que cobre diversas cidades durante os períodos mais secos.
Diante desse panorama, especialistas defendem a ampliação das ações de prevenção, fiscalização e monitoramento ambiental, além de investimentos em tecnologia e educação ambiental para reduzir a ocorrência de incêndios. O levantamento reforça que preservar os biomas mato-grossenses é fundamental não apenas para a conservação da biodiversidade, mas também para o equilíbrio climático e hídrico do Brasil, já que os impactos das queimadas ultrapassam as fronteiras do estado e afetam todo o país.