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Papo de Líderes

Quando o time vence o gênio: a maior lição da Copa do Mundo de 2026

20/07/2026 15:00 Por Redação NTD

Ontem o mundo assistiu a mais uma final histórica de Copa do Mundo. A Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 na prorrogação e conquistou seu segundo título mundial. Do outro lado estava Lionel Messi.

Para muitos ele foi o maior jogador da história do futebol. Um atleta que redefiniu o esporte durante mais de duas décadas, conquistou praticamente tudo o que havia para conquistar, e continuará sendo uma referência para gerações futuras. Mesmo assim, desta vez, o talento individual não foi suficiente.

E essa talvez seja a maior lição de liderança que esta Copa deixa para todos nós.

Ao longo da minha carreira, aprendi que existe uma enorme diferença entre ter pessoas brilhantes e construir uma equipe brilhante. São coisas completamente diferentes.

O mercado corporativo costuma idolatrar os “Messis” das empresas. Aqueles profissionais extraordinários, tecnicamente impecáveis, capazes de resolver problemas complexos e entregar resultados acima da média.

Eles são fundamentais, claro. Mas organizações sustentáveis não dependem apenas deles. Dependem de sistemas, de cultura, de confiança, e, principalmente, dependem de líderes capazes de fazer o coletivo jogar melhor do que a simples soma das individualidades.

Foi exatamente isso que a Espanha apresentou durante toda esta Copa. Enquanto muitos olhavam para os grandes nomes argentinos, a Espanha mostrou algo muito mais difícil de construir: um modelo de jogo.

Não havia um único protagonista; havia um protagonista chamado equipe.

Rodri organizava; Yamal desequilibrava; Olmo criava; a defesa protegia; e os reservas mantinham o mesmo padrão. Cada jogador compreendia perfeitamente seu papel dentro de um propósito maior.

A equipe conquistou o título apoiada em uma identidade coletiva, com domínio do jogo, posse de bola e uma defesa que sofreu apenas um gol durante todo o torneio.

No mundo corporativo acontece exatamente a mesma coisa. Já vi empresas perderem excelentes profissionais e continuarem crescendo. Também vi organizações inteiras entrarem em crise porque dependiam excessivamente de uma única pessoa. Isto acontece quando o conhecimento não é compartilhado; quando a liderança não forma sucessores; quando o ego fala mais alto do que o propósito.

Os melhores líderes que conheci nunca foram aqueles que buscavam ser a estrela da equipe; foram aqueles que faziam outras pessoas brilharem. Um grande líder é aquele que constrói equipes capazes de vencer mesmo quando o seu maior talento não está em campo.

Essa talvez seja a verdadeira definição de legado. Porque talentos individuais escrevem capítulos; grandes equipes escrevem histórias. Messi continuará sendo uma lenda do futebol, nada muda isto. Mas a Copa de 2026 nos lembrou de uma verdade que vale para qualquer empresa, qualquer conselho de administração e qualquer equipe de alta performance: o talento faz você ganhar jogos; a cultura faz você ganhar campeonatos.

Talvez a pergunta mais importante para nós, líderes, seja esta: a sua equipe depende do seu melhor jogador ou funciona como um verdadeiro time?

Porque, no fim das contas, os maiores resultados nunca pertencem a uma única pessoa. Eles pertencem àqueles que aprenderam que, quando todos jogam pelo mesmo objetivo, o coletivo sempre se torna maior do que qualquer talento individual.

Felício Ferraz trabalhou como executivo de empresas multinacionais como Shell e Souza Cruz; é conselheiro, professor, empreendedor em série; e ex-CEO da BAT - British American Tobacco - no Caribe, America Central, Sri Lanka, e Caucasus.

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