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Política

Moraes pressiona Flávio Bolsonaro e exige depoimento à PF sobre postagem contra Lula

17/07/2026 13:55 Por Redação NTD

Ministro do STF marca depoimento para o dia 28 e rejeita novo adiamento solicitado pela defesa do senador

A disputa política entre o governo Lula e a oposição ganhou mais um capítulo de forte impacto no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes determinou que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) preste depoimento à Polícia Federal no próximo dia 28 de julho, às 14h00, no âmbito do inquérito que apura a suposta prática do crime de calúnia contra o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão coloca um ponto final nas tentativas de adiar a oitiva e reforça o avanço das investigações, que agora entram em uma fase considerada decisiva para o futuro do caso. O depoimento será realizado após o prazo inicialmente concedido pela Justiça expirar sem que o parlamentar fosse ouvido, levando Moraes a estabelecer uma nova data de forma definitiva.

No despacho, o ministro destacou que a Polícia Federal informou ter entrado em contato com a defesa do senador para agendar a oitiva e, inclusive, oferecido a possibilidade de realização por videoconferência, alternativa que facilitaria o cumprimento da determinação judicial. Apesar disso, segundo a PF, os advogados solicitaram apenas uma prorrogação do prazo, sem apresentar documentos ou justificativas que comprovassem qualquer impedimento concreto para o comparecimento do parlamentar. Diante desse cenário, Moraes decidiu fixar a nova data e determinar o prosseguimento da investigação, deixando claro que o inquérito não permanecerá indefinidamente aguardando a manifestação da defesa.

Investigação avança

A apuração teve início após uma publicação feita por Flávio Bolsonaro nas redes sociais em que o senador associou o Presidente Lula ao líder venezuelano Nicolás Maduro, e atribuiu ao chefe do Executivo brasileiro a prática de crimes como tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, apoio ao terrorismo e fraudes eleitorais. Em relatório encaminhado ao Supremo, a Polícia Federal concluiu que as declarações podem configurar, em tese, o crime de calúnia, por imputarem delitos ao presidente da República sem a apresentação de elementos que sustentassem as acusações. O caso passou a ser analisado pelo STF por envolver autoridades com foro privilegiado e ganhou repercussão nacional diante do acirramento da polarização política entre governo e oposição.

Com a data do depoimento finalmente definida, a investigação entra em uma etapa considerada estratégica para a conclusão do inquérito. Após ouvir Flávio Bolsonaro, a Polícia Federal deverá finalizar as diligências e encaminhar o procedimento para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresenta denúncia formal ao Supremo ou se pede o arquivamento do caso. A expectativa é de que o desfecho tenha forte repercussão política, uma vez que envolve um dos principais nomes da oposição ao governo Lula e ocorre em um momento de crescente tensão entre os Poderes e de intensificação das disputas que já movimentam o cenário eleitoral de 2026.