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Operação investiga ligação financeira entre facções brasileiras e a Al-Qaeda

15/07/2026 15:13 Por Redação NTD

Ação mira esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 100 milhões para organizações criminosas e conexão internacional

Uma investigação sem precedentes colocou organizações criminosas brasileiras no centro de uma apuração com alcance internacional. A Operação Hawala, deflagrada nesta quarta-feira, 15, no Rio de Janeiro, busca desarticular um grupo suspeito de lavar dinheiro para facções como o Comando Vermelho (CV), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Terceiro Comando Puro (TCP). As investigações também apuram uma possível conexão financeira com integrantes ligados à estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda, hipótese que ainda está sendo aprofundada pelas autoridades. Segundo os investigadores, a rede criminosa utilizava um sistema sofisticado de movimentação de recursos para ocultar a origem do dinheiro, dificultando a identificação dos beneficiários, e permitindo que valores circulassem dentro e fora do país sem despertar suspeitas imediatas.

De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro e os órgãos responsáveis pela operação, a organização criminosa funcionava como uma espécie de “prestadora de serviços” para o crime organizado, ocultando e movimentando recursos provenientes principalmente do tráfico de drogas. O esquema teria movimentado mais de R$ 100 milhões por meio de empresas de fachada, operadores financeiros e transferências informais, utilizando mecanismos sofisticados para dificultar o rastreamento do dinheiro. Ao todo, 22 pessoas foram denunciadas pela Justiça e, até o momento, dez investigados foram presos. Além dos mandados de prisão, agentes também cumpriram ordens de busca e apreensão em diversos endereços, com o objetivo de reunir documentos, equipamentos eletrônicos, e outros materiais que possam reforçar as provas já obtidas durante a investigação.

Esquema internacional

Os investigadores afirmam que a ligação com a Al-Qaeda foi identificada a partir de indícios de movimentações financeiras internacionais envolvendo um integrante da estrutura de financiamento do grupo extremista. Segundo as autoridades, ainda não há conclusão definitiva sobre a extensão dessa relação, que dependerá da análise do material apreendido durante a operação, e do avanço das investigações. A apuração busca esclarecer se houve apenas transações financeiras indiretas ou se existia uma estrutura organizada capaz de conectar operadores do crime organizado brasileiro a pessoas investigadas por financiar atividades terroristas no exterior.

A Operação Hawala reúne forças do Ministério Público, das polícias e de órgãos de inteligência para combater a lavagem de dinheiro, e o financiamento do crime organizado. Além das prisões e das buscas realizadas nesta fase da investigação, as autoridades pretendem identificar outros envolvidos, rastrear o destino dos recursos movimentados, e bloquear patrimônios obtidos de forma ilícita. O material apreendido passará por perícia e poderá revelar novos desdobramentos, ampliando o alcance da operação e contribuindo para esclarecer a dimensão das conexões financeiras entre facções criminosas brasileiras e possíveis organizações internacionais investigadas por terrorismo.