Enquanto alguns apostam na tecnologia para ampliar a comunicação, outros impõem limites para evitar riscos eleitorais
A inteligência artificial já entrou definitivamente no centro da corrida pelo Palácio do Planalto. Antes mesmo do início oficial da campanha, as equipes dos principais pré-candidatos à Presidência da República adotam estratégias distintas sobre o uso da tecnologia, revelando uma divisão entre aqueles que enxergam a IA como uma aliada para tornar a comunicação mais eficiente e os que preferem restringir seu emprego por receio de impactos éticos e da disseminação de desinformação. A rápida evolução dessas ferramentas transformou a IA em um dos temas mais relevantes do cenário eleitoral, influenciando desde o planejamento das campanhas até a forma como candidatos pretendem dialogar com milhões de eleitores nas plataformas digitais.
Nos bastidores das pré-campanhas, ferramentas de inteligência artificial vêm sendo utilizadas para acelerar a produção de conteúdos, revisar discursos, organizar agendas, analisar grandes volumes de dados, monitorar o comportamento do eleitorado, e identificar tendências nas redes sociais. Em algumas equipes, a tecnologia também auxilia na elaboração de estratégias de comunicação e na avaliação do alcance de publicações em tempo real. Apesar disso, diversos grupos estabeleceram protocolos rígidos para impedir que a IA seja empregada na criação de imagens, vídeos ou áudios capazes de induzir o eleitor ao erro, especialmente diante da preocupação crescente com deepfakes, montagens, e conteúdos manipulados que possam comprometer a lisura da disputa eleitoral.
Estratégias diferentes
A discussão ocorre em um momento em que a Justiça Eleitoral amplia o debate sobre regras para o uso da inteligência artificial durante as eleições. Especialistas avaliam que a tecnologia pode tornar a comunicação política mais rápida, personalizada, e eficiente, aproximando candidatos do eleitorado por meio de conteúdos direcionados. Ao mesmo tempo, alertam que seu uso exige transparência, responsabilidade e mecanismos de identificação de materiais produzidos por IA, evitando a circulação de informações falsas e protegendo a credibilidade do processo democrático. O tema também mobiliza juristas e especialistas em tecnologia, que defendem o aperfeiçoamento das normas para acompanhar a velocidade das inovações digitais.
A tendência é que a inteligência artificial ganhe ainda mais protagonismo ao longo da campanha presidencial de 2026. Com a evolução constante das plataformas e o surgimento de novas ferramentas capazes de produzir textos, imagens, vídeos e até vozes com elevado grau de realismo, marqueteiros e estrategistas reconhecem que o desafio será equilibrar inovação e segurança. A expectativa é que a IA seja utilizada cada vez mais como instrumento de apoio às campanhas, desde que respeite os limites impostos pela legislação eleitoral, e preserve a confiança dos eleitores, evitando fraudes, manipulações, e qualquer prática que possa comprometer a transparência e a legitimidade das eleições.