Vivemos em uma sociedade que celebra vencedores, medalhas, troféus e títulos. Pouco se fala, porém, sobre aquilo que normalmente constrói todas essas conquistas: as derrotas, as dúvidas, os erros, e os recomeços.
Recentemente tive o privilégio de assistir, no Rio FutSummit 2026, na Cidade das Artes, a uma palestra de Diego Ribas. Confesso que já o admirava como atleta pelos anos em que vestiu a camisa do Flamengo e Seleção Brasileira. Mas saí daquele auditório admirando ainda mais o ser humano.
Foi uma daquelas palestras que nos fazem refletir sobre a liderança para além dos cargos, dos resultados, e dos indicadores. Diego falou sobre disciplina, mentalidade, preparação, inteligência emocional e, principalmente, sobre a importância de aprender continuamente com os próprios erros.
E talvez esteja justamente aí uma das maiores diferenças entre profissionais extraordinários e profissionais apenas talentosos. Talento abre portas, mas é a capacidade de aprender que mantém essas portas abertas.
Existe uma frase atribuída a Nelson Mandela que sempre gostei de utilizar: “Eu nunca perco. Ou eu ganho, ou eu aprendo”.
Essa mentalidade ficou muito evidente durante a apresentação de Diego. Em nenhum momento ele romantizou as derrotas. Pelo contrário; mostrou como cada momento difícil foi utilizado como matéria-prima para construir uma versão melhor de si mesmo. Isso vale para o esporte, vale para os negócios, e vale para a vida também.
No ambiente corporativo ainda encontramos muitos líderes que acreditam que precisam parecer infalíveis. Evitam admitir erros, escondem vulnerabilidades, e acabam criando culturas onde ninguém se sente seguro para experimentar ou inovar.
O resultado costuma ser previsível: equipes que deixam de aprender porque têm medo de errar. Os ambientes mais inovadores do mundo funcionam exatamente ao contrário. Eles não premiam o erro, mas valorizam profundamente o aprendizado que nasce dele.
Foi exatamente essa sensação que tive ao ouvir Diego Ribas. Não encontrei apenas um ex-jogador falando sobre futebol. Encontrei um líder falando sobre desenvolvimento humano, sobre disciplina, sobre responsabilidade, sobre assumir o protagonismo da própria carreira; e sobre entender que sucesso não é um destino, mas um processo diário de evolução.
Saí dali muito mais fã da pessoa do que do atleta. Aliás, recomendo fortemente que quem ainda não conhece a história dele, procure assistir às suas entrevistas e palestras. Existe muito mais ali do que gols, títulos e taças. Existe uma verdadeira aula sobre liderança.
No fim das contas, grandes profissionais não são definidos apenas pelas vitórias que acumulam. São definidos, principalmente, pela maneira como respondem às derrotas.
Porque o fracasso pode até derrubar alguém por um instante. Mas, somente quem deixa de aprender permanece no chão.
E, talvez seja essa a maior lição da liderança contemporânea: não vence quem nunca cai, vence quem transforma cada queda em combustível para dar o próximo passo.
Felício Ferraz trabalhou como executivo de empresas multinacionais como Shell e Souza Cruz; é conselheiro, professor, empreendedor em série; e ex-CEO da BAT - British American Tobacco - no Caribe, America Central, Sri Lanka, e Caucasus
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