Durante muito tempo, a reputação de um profissional estava fortemente ligada à empresa onde ele trabalhava. Bastava dizer o nome da organização e, automaticamente, parte da credibilidade daquela marca era transferida para a pessoa. Em muitos casos, isso era suficiente para abrir portas e gerar reconhecimento.
Só que agora, essa dinâmica está bem diferente. Hoje, as pessoas querem se conectar com pessoas. Querem conhecer quem está por trás do cargo, da assinatura do e-mail e do crachá. Essa mudança ficou evidente em uma entrevista concedida pelo jornalista Chico Mendez ao jornal O Globo. Em um trecho que considero muito interessante, ele afirma: "A pessoa física venceu a jurídica". Segundo ele, hoje as marcas da gestão são menos importantes do que a marca do gestor. Afinal, instituições não contam histórias; histórias são contadas por pessoas, para pessoas.
Isso ajuda a explicar por que tantos CEOs passaram a ocupar espaço nas redes sociais, por que especialistas se tornaram referências em seus mercados e por que profissionais que antes eram conhecidos apenas por estarem dentro de empresas hoje conquistam reconhecimento muito além delas. A marca da empresa continua sendo importante. Mas ela já não é suficiente para sustentar uma carreira inteira.
Empregos mudam. Projetos terminam. Empresas fecham ou mudam de estratégia. A única reputação que acompanha você em todos esses momentos… É a sua. Por isso, construir uma marca pessoal deixou de ser algo exclusivo para empreendedores ou influenciadores. Tornou-se uma estratégia de carreira. Em um mercado cada vez mais competitivo, bons currículos já não bastam para diferenciar um profissional. Há muita gente competente disputando as mesmas oportunidades.
A marca pessoal revela quem você é, quais são seus valores, sua forma de pensar, sua experiência e seu jeito de trabalhar. São esses elementos que criam identificação e fazem com que clientes, parceiros, recrutadores e até futuros empregadores se lembrem de você.
Existe também outro benefício importante: a autonomia. Quando sua autoridade depende apenas da empresa onde trabalha, sua trajetória fica condicionada às decisões daquela organização.Quando a autoridade passa a estar associada ao seu nome, novas possibilidades surgem naturalmente. Mudar de área, assumir projetos diferentes, dar aulas, fazer palestras, prestar consultorias ou desenvolver novos produtos deixa de depender exclusivamente do cargo que você ocupa naquele momento. Sua reputação passa a abrir portas que o crachá, sozinho, nunca abriria.
Outro aspecto que merece atenção é o relacionamento com o público. Hoje, profissionais têm a oportunidade de conversar diretamente com as pessoas por meio das redes sociais, artigos, vídeos, palestras e outros canais de comunicação. Isso permite construir confiança de forma contínua, sem depender exclusivamente da visibilidade oferecida pela empresa onde trabalham.
Ao longo do tempo, essa confiança se transforma em credibilidade. E credibilidade funciona como um patrimônio: quanto mais bem cuidada, mais cresce. Diferentemente de um cargo, que pode acabar de um dia para o outro, uma marca pessoal consistente continua acompanhando seu dono em cada novo desafio profissional.
Talvez a pergunta mais importante não seja onde você trabalha hoje. O que realmente importa é: se amanhã você deixasse essa empresa, as pessoas continuariam lembrando de você? Porque o cargo pode mudar. O crachá pode ser devolvido. Mas sua história, sua experiência, seus valores e a reputação que você construiu permanecem. E, no mercado atual, talvez esse seja um dos ativos mais valiosos que um profissional pode ter.
Marcia Fialho é designer estrategista de marcas, especialista em Neurobranding, com mais de 40 anos de experiência em branding e comunicação. Nesta coluna semanal, compartilha reflexões e estratégias para empresas que desejam fortalecer sua marca e se adaptar ao mercado atual.