Operação do Ministério Público mira organização criminosa suspeita de fraudar licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro
Uma operação de grande impacto do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) colocou a cúpula do Instituto Rio Metrópole no centro de um escândalo de corrupção. Na manhã desta quinta-feira, 9, a Operação Ouroboros prendeu cinco pessoas, entre elas o presidente da autarquia, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê. Segundo as investigações, o grupo é suspeito de comandar um esquema que teria movimentado R$ 86 milhões em contratos sob suspeita, utilizando licitações supostamente fraudadas para desviar dinheiro público e ocultar a origem dos recursos por meio de operações de lavagem de dinheiro.
As investigações apontam que a organização criminosa teria transformado contratos públicos em um verdadeiro mecanismo de arrecadação ilícita. De acordo com o MPRJ, empresas eram favorecidas em processos licitatórios e, após receberem os pagamentos, realizavam subcontratações consideradas fictícias para dar aparência de legalidade às operações financeiras. Em seguida, parte dos valores era sacada em dinheiro vivo, dificultando o rastreamento dos recursos e, segundo os investigadores, alimentando um sofisticado esquema de corrupção. Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e lavagem de dinheiro, enquanto mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos em diferentes cidades do estado.
Esquema milionário
Criado para coordenar o desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o Instituto Rio Metrópole agora vê sua imagem profundamente abalada pelas denúncias. Segundo o Ministério Público, entre 2022 e 2026 a estrutura da autarquia teria sido utilizada para beneficiar empresas previamente escolhidas em contratos que somam aproximadamente R$ 86,28 milhões. A investigação sustenta que parte do dinheiro circulava por meio de contratos simulados entre empresas antes de ser retirada em espécie, em uma estratégia que teria como objetivo dificultar a identificação do destino final dos recursos públicos.
A Operação Ouroboros representa um dos mais expressivos golpes recentes contra um suposto esquema de corrupção envolvendo a administração pública fluminense. Enquanto os investigados terão direito à ampla defesa ao longo do processo, o Ministério Público continua as investigações para identificar outros possíveis envolvidos, rastrear o caminho do dinheiro e recuperar eventuais valores desviados. O caso amplia a pressão por mais transparência na gestão dos recursos públicos e reacende o debate sobre a necessidade de reforçar os mecanismos de fiscalização dos contratos firmados por órgãos do Estado.