Ambulantes seriam obrigados a pagar taxas diárias para trabalhar na orla; município anuncia ofensiva para enfrentar a exploração criminosa
Por trás do cenário paradisíaco de Copacabana, Ipanema e Leblon, um esquema milionário de exploração estaria abastecendo os cofres do crime organizado. Segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, facções criminosas faturam cerca de R$ 100 milhões por ano com a extorsão de ambulantes que trabalham na orla da Zona Sul. A denúncia revela que vendedores ilegais chegam a desembolsar entre R$ 200 e R$ 300 por dia para garantir um espaço nas praias mais famosas do país, transformando um dos maiores cartões-postais do Brasil em um lucrativo negócio controlado por criminosos.
De acordo com a Prefeitura, o esquema vai muito além da cobrança de dinheiro dos ambulantes. As investigações apontam a existência de uma estrutura organizada, com 22 depósitos clandestinos utilizados para armazenar mercadorias, distribuir bebidas, guardar equipamentos e abastecer o comércio irregular. O município estima que aproximadamente 1.050 ambulantes atuem de forma regular, enquanto um número semelhante trabalha sem autorização, cenário que, segundo a administração municipal, facilita a atuação das organizações criminosas. Para tentar reverter esse quadro, será implantada a operação Tolerância Zero contra a Exploração Ilegal do Espaço Público, com fiscalização reforçada em toda a orla do Leme ao Leblon.
Guerra na orla
A resposta da Prefeitura promete atingir diretamente a estrutura financeira das facções. Além do aumento das operações de fiscalização, dois imóveis serão desapropriados para funcionar como depósitos públicos destinados ao armazenamento de mercadorias apreendidas. A estratégia busca desmontar a logística utilizada pelos grupos criminosos e impedir que a exploração ilegal continue gerando milhões de reais todos os anos. Segundo o município, a ação pretende recuperar o controle dos espaços públicos e proteger os trabalhadores que atuam dentro das regras.
A revelação do suposto faturamento milionário escancara a dimensão da influência do crime organizado em uma das áreas mais conhecidas do Brasil. Frequentadas diariamente por moradores e turistas de todo o mundo, as praias da Zona Sul passaram a ser apontadas pela prefeitura como alvo de um esquema que movimenta cifras milionárias por meio da intimidação e da cobrança ilegal de taxas. Com a nova ofensiva, a expectativa é reduzir o poder econômico dessas organizações e devolver à orla carioca o controle do comércio ambulante, preservando a segurança e a imagem internacional da cidade.