Secom afirma que participação do senador em audiência nos Estados Unidos reforçou acusações contra o país
Uma disputa diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou novos contornos políticos nesta terça-feira, 7. O governo federal divulgou uma nota oficial acusando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ter legitimado as acusações feitas pelo governo norte-americano contra o Brasil ao participar de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que discutiu a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), a presença do parlamentar na audiência teria fortalecido a narrativa utilizada pelas autoridades americanas para justificar as medidas comerciais contra o Brasil. A manifestação elevou o tom do embate entre o Palácio do Planalto e a oposição em um momento de crescente tensão nas relações entre Brasília e Washington.
Na manifestação, a Secom afirmou que a atuação de Flávio Bolsonaro acabou conferindo legitimidade às acusações apresentadas pelos Estados Unidos e classificou sua postura como prejudicial aos interesses nacionais. O governo sustenta que a defesa do Brasil deve ser conduzida institucionalmente pelo Poder Executivo, por meio dos canais diplomáticos oficiais. A audiência reuniu representantes do setor privado, empresários e integrantes da sociedade civil para discutir os impactos da política tarifária americana sobre produtos brasileiros. O episódio ocorre em meio às negociações envolvendo o comércio bilateral e amplia o clima de confronto político entre governo e oposição sobre a condução da política externa.
Troca de acusações
Enquanto o governo responsabiliza Flávio Bolsonaro pela repercussão das críticas norte-americanas, o senador apresentou uma versão completamente diferente dos acontecimentos. Em viagem aos Estados Unidos, Flávio afirmou que participou da audiência ao lado de empresários brasileiros e representantes da sociedade civil para defender os interesses do Brasil, e para tentar evitar a adoção das novas tarifas. O parlamentar criticou o governo federal por não ter enviado qualquer representante oficial para participar da audiência e defender o país diante das autoridades norte-americanas. Nas redes sociais, Flávio divulgou um vídeo em que acusa o Partido dos Trabalhadores de ser o “partido das taxas”. Na gravação, ele exibe a inscrição “PT TAX PARTY” escrita à caneta em uma de suas mãos, que em tradução em português significa “PT Festa das Taxas”, em referência às críticas que faz à política econômica e tributária do governo Lula.
O episódio intensifica a disputa política em torno da política externa brasileira e da relação com os Estados Unidos. Enquanto o governo afirma que a atuação do senador fortaleceu argumentos utilizados pelos norte-americanos contra o Brasil, Flávio Bolsonaro argumenta que sua presença buscou justamente defender os interesses nacionais diante da ausência de uma representação oficial brasileira. A troca de acusações amplia a polarização entre governo e oposição e transforma a discussão sobre as tarifas em mais um capítulo da disputa política entre o Palácio do Planalto e a família Bolsonaro, com reflexos tanto no cenário diplomático quanto no debate interno sobre a condução das relações internacionais do país.