Notícia Todo Dia NTD
Bem-estar & Saúde

IBGE aponta que atenção primária à saúde infantil no SUS ainda precisa avançar

06/07/2026 20:19 Por Redação NTD

Pesquisa inédita mostra que atendimento recebeu avaliação abaixo do padrão considerado satisfatório pelos responsáveis por crianças atendidas

A porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) continua sendo fundamental para milhões de famílias brasileiras, mas ainda está longe de alcançar o nível de qualidade esperado. É o que revela uma pesquisa inédita do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo a qual a Atenção Primária à Saúde (APS) voltada às crianças necessita de aprimoramento. A avaliação foi feita por pais e responsáveis de menores de 13 anos atendidos na rede pública e integra um módulo especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2022. 

Os entrevistados atribuíram nota média de 5,7 ao serviço em uma escala de zero a dez, índice inferior ao patamar de 6,6 considerado como padrão mínimo de qualidade para esse tipo de atendimento. A pesquisa também utilizou o Net Promoter Score (NPS), indicador que mede o grau de recomendação de um serviço, e o resultado foi de 28 pontos, classificação que coloca a atenção primária infantil na chamada “zona de aperfeiçoamento”. Apesar disso, cerca de 82,9% das crianças brasileiras com menos de 13 anos utilizaram algum serviço de atenção primária nos 12 meses anteriores à pesquisa, evidenciando a ampla cobertura do SUS. 

Cobertura ampla, mas desafios persistem

O levantamento mostrou que os aspectos mais bem avaliados pelos responsáveis foram o acolhimento oferecido pelas equipes de saúde e o empenho dos profissionais na resolução dos problemas apresentados pelas crianças. Entre os principais motivos das consultas estiveram os atendimentos de rotina, como acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil, seguidos por problemas respiratórios e outras enfermidades comuns da infância. As Unidades Básicas de Saúde e as equipes da Estratégia Saúde da Família concentraram a maior parte dos atendimentos realizados. 

O estudo também apontou diferenças regionais na avaliação dos serviços. A Região Sul registrou o melhor desempenho, enquanto a Região Norte apresentou o menor escore nacional. Entre as unidades da federação, Mato Grosso alcançou a maior nota, com 6,4, ainda abaixo do parâmetro de qualidade estabelecido pela metodologia utilizada. Segundo o IBGE, a pesquisa foi realizada em um período ainda influenciado pelos impactos da pandemia de Covid-19, fator que pode ter afetado o acesso aos serviços, mas que também demonstrou a capacidade do SUS de manter a assistência básica para a maior parte da população infantil brasileira.