Vivemos em uma época que cultua o talento individual. Celebramos os gênios, os campeões, os recordistas. Vemos o pódio, as medalhas, os aplausos e, muitas vezes, esquecemos de olhar para quem esteve nos bastidores tornando tudo aquilo possível.
Em 2016, durante uma viagem à Jamaica, tive o privilégio de conhecer pessoalmente Usain Bolt. Conversamos por alguns minutos, tiramos uma foto e, depois, continuei conversando com amigos jamaicanos que estavam conosco. Foi justamente ali que ouvi uma história que me marcou profundamente, e que, desde então, utilizo em muitas das minhas mentorias executivas.
Segundo eles, Bolt percebeu muito cedo que possuía um talento extraordinário. Mas também reconheceu algo ainda mais importante: não tinha, sozinho, toda a disciplina necessária para fazer daquele talento uma carreira histórica. Foi então que entrou em cena seu treinador, o jamaicano Glen Mills.
Mais do que um técnico, ele foi mentor, educador, conselheiro e, em muitos momentos, uma figura quase paternal. Pelos relatos que ouvi naquele dia, Glen Mills era uma das poucas pessoas para quem Usain Bolt realmente baixava a guarda. Era alguém cuja opinião ele respeitava profundamente, mesmo quando significava ouvir aquilo que talvez não quisesse.
Essa história me fez refletir sobre algo que observo há quase trinta anos liderando equipes em diferentes partes do mundo:
O talento impressiona mas, só a disciplina constrói. O Bolt era conhecido pelo seu talento precoce e promissor, mas tambem pela sua falta de dedicação aos treinos, seu comportamento brincalhão e, problemas crônicos com lesões por falta de descanso.
No ambiente corporativo acontece exatamente a mesma coisa. Já conheci profissionais brilhantes que nunca alcançaram posições compatíveis com seu potencial. Não lhes faltava inteligência. Faltava alguém que os desafiasse, os confrontasse quando necessário, ampliasse sua visão, e os ajudasse a desenvolver competências que a universidade jamais ensinou.
Da mesma forma, conheci executivos aparentemente comuns que construíram carreiras extraordinárias porque tiveram líderes que acreditaram neles, mentores que os desenvolveram, e coaches que os ajudaram a vencer seus próprios limites.
Hoje, fala-se muito sobre inteligência artificial, transformação digital e novas tecnologias. Tudo isso é importante. Mas continuo acreditando que o maior diferencial competitivo continuará sendo humano.
Autoconhecimento, inteligência emocional, humildade para aprender, coragem para mudar e capacidade de receber feedback continuam sendo as competências que diferenciam profissionais bons de líderes extraordinários.
Como mentor, talvez esta seja uma das maiores lições que procuro transmitir aos executivos que acompanho: Pedir ajuda não diminui ninguém. Pelo contrário, é um dos maiores sinais de maturidade profissional.
Nenhum grande atleta chega ao topo sozinho. Nenhum grande músico se desenvolve sem um maestro. Nenhum grande empresário constrói uma organização relevante sem aprender com outras pessoas. E nenhum líder alcança seu máximo potencial acreditando que já sabe tudo.
Quando olho para a trajetória de Usain Bolt, não vejo apenas o homem mais rápido da história. Vejo alguém suficientemente inteligente para reconhecer que precisava de orientação para se tornar a melhor versão de si mesmo.
Talvez essa seja a verdadeira velocidade que precisamos desenvolver na liderança contemporânea: não a de correr mais rápido que todos, mas a de aprender mais rápido do que ontem. Porque recordes impressionam mas, legados são construídos por pessoas que nunca caminham sozinhas.
Felício Ferraz trabalhou como executivo de empresas multinacionais como Shell e Souza Cruz; é conselheiro, professor, empreendedor em série; e ex-CEO da BAT - British American Tobacco - no Caribe, America Central, Sri Lanka, e Caucasus
>
Quer fazer uma mentoria executiva ? clique aqui e mande uma mensagem direta.

Clique aqui para acessar

Clique aqui para acessar