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Papa Leão XIV troca celebração nos EUA por oração a imigrantes mortos no Mediterrâneo

04/07/2026 14:04 Por Redação NTD

Pontífice passa o Dia da Independência dos Estados Unidos em Lampedusa e homenageia vítimas de naufrágios

Enquanto os Estados Unidos celebra os 250 anos de sua Independência, o Papa Leão XIV escolhe um cenário de luto e reflexão para marcar a data. Em vez de participar das comemorações em seu país natal, o Pontífice esteve na ilha italiana de Lampedusa, porta de entrada de milhares de migrantes na Europa, onde rezou pelas vítimas que morreram tentando atravessar o Mar Mediterrâneo. O gesto teve forte simbolismo ao destacar a crise humanitária enfrentada por refugiados e imigrantes, e reforçar sua defesa da dignidade humana. 

Durante a visita, Leão XIV depositou flores em túmulos de migrantes sem identificação, fez uma oração diante do mar e celebrou uma missa na ilha. Em sua homilia, afirmou que os mortos no Mediterrâneo são vítimas não apenas das tragédias da travessia, mas também de “decisões tomadas ou omitidas”, em uma crítica às políticas migratórias adotadas por diversos países europeus. O papa voltou a defender que a resposta à crise migratória seja baseada na acolhida, na proteção, na integração, e na promoção da dignidade das pessoas em situação de vulnerabilidade. 

Mensagem aos americanos

Na véspera da data histórica, o primeiro Papa nascido nos Estados Unidos também enviou uma mensagem aos seus compatriotas lembrando que a imigração foi fundamental para a construção do país. Ao receber a Medalha da Liberdade, na Filadélfia, por videoconferência, Leão XIV afirmou que os ideais de liberdade, igualdade, e direitos humanos devem continuar guiando a sociedade americana e ressaltou que defender a vida também significa acolher e proteger os imigrantes, cujas contribuições ajudaram a moldar a história dos Estados Unidos. 

A escolha de Lampedusa para marcar o feriado nacional norte-americano foi interpretada como uma poderosa mensagem humanitária, mas, sobretudo, política. Sem citar diretamente autoridades — mas em uma clara mensagem a Donald Trump —  o Pontífice reforçou sua posição crítica às políticas de endurecimento contra a imigração e voltou a pedir que governos coloquem a compaixão e a solidariedade no centro das decisões. O gesto consolidou mais uma vez a defesa dos migrantes como uma das principais bandeiras do pontificado de Leão XIV.