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Economia

Indústria brasileira registra nova queda e reforça sinais de desaceleração da economia

03/07/2026 19:59 Por Redação NTD

Produção industrial recua 0,2% em maio, e juros elevados e inflação continuam pressionando a atividade econômica

Depois de iniciar 2026 em ritmo positivo, a indústria brasileira perdeu fôlego. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção industrial recuou 0,2% em maio na comparação com abril, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento. O resultado representa a primeira queda do setor neste ano e reforça a percepção de que a economia brasileira entra em uma fase de desaceleração gradual, marcada pelo enfraquecimento da atividade produtiva e do consumo das famílias. 

De acordo com o levantamento do IBGE, as maiores pressões negativas vieram da produção de derivados de petróleo e biocombustíveis, que caiu 6,1%, e das indústrias extrativas, com retração de 2,6%. Também registraram desempenho negativo os segmentos de alimentos, produtos têxteis, equipamentos de informática e impressão. Em contrapartida, a indústria farmacêutica avançou 13,1%, enquanto o setor automotivo cresceu 4,1%, impulsionado por incentivos ao mercado de veículos. No acumulado do ano, porém, a indústria ainda apresenta expansão de 1,4%, enquanto o avanço em 12 meses é de apenas 0,4%, indicando perda de dinamismo em relação aos primeiros meses de 2026.

Taxa de juros é entrave

Especialistas avaliam que o desempenho da indústria reflete o choque entre duas forças que atuam sobre a economia. De um lado, medidas de estímulo ao consumo, como mudanças no Imposto de Renda, programas de renegociação de dívidas, incentivos para a compra de automóveis e ações voltadas ao mercado imobiliário sustentam parte da atividade. De outro, a taxa básica de juros em patamar elevado, a inflação persistente e o alto nível de endividamento das famílias continuam reduzindo o poder de compra, e limitando investimentos e expansão da produção. 

Apesar da retração registrada em maio, a expectativa do mercado é de que a economia brasileira continue crescendo em 2026, porém em um ritmo mais moderado. As projeções apontam para um avanço do Produto Interno Bruto (PIB) próximo de 2% neste ano, após um primeiro trimestre mais aquecido. Para analistas, a desaceleração tende a ocorrer de forma gradual, preservando os baixos níveis de desemprego, mas reduzindo o ritmo da atividade econômica como consequência da política monetária restritiva adotada para controlar a inflação.