Justiça mantém prêmio bloqueado enquanto disputa sobre a verdadeira propriedade da aposta segue sem definição em Mato Grosso
O sonho de uma fortuna milionária transformou-se em uma longa batalha judicial. Quase três anos após o sorteio da Mega-Sena que premiou uma aposta de R$ 29 milhões em Sinop (MT), o casal investigado por supostamente furtar o bilhete vencedor continua sem poder sacar um único centavo. Com o valor integral bloqueado por decisão da Justiça, a defesa afirma que os investigados são “milionários apenas no papel”, enquanto o Ministério Público sustenta que o prêmio é resultado de um furto cometido por uma ex-funcionária de uma casa lotérica.
O caso remonta ao concurso da Mega-Sena realizado em agosto de 2023, cujo prêmio total ultrapassou R$ 116 milhões e foi dividido entre quatro apostas vencedoras. Duas delas foram registradas na mesma lotérica de Sinop, sendo que uma acabou no centro da disputa judicial. Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, a então funcionária do estabelecimento teria retirado do cofre um bilhete que permaneceu na lotérica após um erro de impressão e, junto com o marido, tentou resgatar os mais de R$ 29 milhões. A defesa, porém, nega qualquer irregularidade e sustenta que o bilhete pertence legitimamente à ex-funcionária, argumentando que, pelas regras adotadas no estabelecimento, o custo da aposta defeituosa seria descontado do operador de caixa, tornando-a proprietária do comprovante.
Disputa na Justiça
Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou um recurso da defesa e manteve o processo na Justiça de Mato Grosso. Para o ministro Ribeiro Dantas, há indícios de que o suposto crime de furto foi consumado no momento em que o bilhete deixou o cofre da lotérica, independentemente da tentativa posterior de resgatar o prêmio na Caixa Econômica Federal. Com isso, o casal continuará respondendo por furto qualificado mediante abuso de confiança, enquanto a Justiça analisa quem é o verdadeiro proprietário da aposta premiada. A audiência de instrução do processo está marcada para fevereiro de 2027.
Enquanto a disputa não é resolvida, os R$ 29 milhões permanecem indisponíveis por determinação judicial. A defesa afirma que a ex-funcionária está desempregada desde que deixou a lotérica e que a família vive apenas da renda obtida pelo marido, caminhoneiro. Já os proprietários do estabelecimento insistem que o bilhete nunca pertenceu à funcionária e que a premiação deve permanecer bloqueada até o julgamento definitivo. Assim, um dos maiores prêmios da Mega-Sena dos últimos anos segue sem dono oficial, à espera da decisão final da Justiça de Mato Grosso.