Senadora afirma que ex-Primeira-Dama e a filha foram alvo de ofensas e critica a escalada de ataques contra mulheres na política
A crise envolvendo a família Bolsonaro ganhou um novo capítulo no Senado. A senadora Damares Alves saiu em defesa de Michelle Bolsonaro, e afirmou que os ataques dirigidos à ex-primeira-dama ultrapassaram o campo político para atingir sua família. Em discurso, a parlamentar disse que publicações nas redes sociais chegaram a questionar se Laura Bolsonaro é realmente filha do ex-Presidente Jair Bolsonaro, classificando o episódio como um exemplo da violência enfrentada por mulheres que ocupam espaços de destaque na vida pública. Para Damares, esse tipo de ataque busca atingir emocionalmente adversários políticos por meio de seus familiares, especialmente crianças.
Segundo a senadora, Michelle também foi alvo de montagens produzidas com inteligência artificial, mensagens ofensivas, e uma série de ataques pessoais intensificados nos últimos dias. Damares afirmou que a filha do casal acabou sendo envolvida nas agressões e lamentou que o debate político tenha ultrapassado todos os limites ao atingir uma menor de idade. Durante o pronunciamento, ela declarou que mulheres na política frequentemente deixam de ser confrontadas por suas ideias para se tornarem alvo de campanhas de desqualificação moral, boatos, e ataques à honra, cenário que, segundo ela, precisa ser combatido com mais firmeza.
Críticas aos aliados
Além de defender Michelle, Damares revelou que ela própria também tem sido alvo de ataques nas redes sociais. A senadora afirmou ter sido chamada de “leviana”, “vagabunda” e “adúltera”, além de relatar a circulação de acusações falsas envolvendo sua vida pessoal. Ela criticou a postura de homens do campo conservador que, segundo disse, permanecem em silêncio diante de ofensas direcionadas às mulheres, e também reprovou declarações do influenciador Paulo Figueiredo sobre a participação feminina na política. Para a parlamentar, a omissão de aliados acaba fortalecendo esse ambiente de hostilidade e intimidação.
O pronunciamento ocorre em meio ao desgaste provocado pela recente saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher e pelo conflito público com o senador Flávio Bolsonaro, episódios que ampliaram a repercussão em torno da ex-primeira-dama. Nos últimos dias, Michelle recebeu manifestações de solidariedade de aliados políticos e lideranças conservadoras de diferentes estados. Ao mesmo tempo, o caso reacendeu o debate sobre os limites das críticas nas redes sociais, o uso de conteúdos manipulados por inteligência artificial, e a necessidade de responsabilização de autores de ataques que extrapolam a disputa política e atingem a esfera pessoal e familiar.