Pedido protocolado na Justiça aponta débito de R$ 15,7 bilhões e acusa grupo de usar recuperação judicial para adiar cobranças fiscais
Depois de quase oito anos tentando se reerguer na Justiça, a fabricante do tradicional refrigerante Dolly pode estar diante de seu capítulo mais dramático. A União e o governo do Estado de São Paulo protocolaram um pedido de falência contra as empresas do Grupo Dolly, alegando que a companhia acumulou uma dívida tributária bilionária e esgotou todas as possibilidades de negociação. Se o pedido for aceito, a empresa poderá entrar em processo de liquidação judicial, encerrando uma longa batalha para evitar a quebra.
O pedido foi apresentado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, responsável pelo processo de recuperação judicial iniciado em 2018. Segundo as procuradorias, o grupo utilizou a recuperação para suspender cobranças e ganhar tempo, sem conseguir regularizar sua situação fiscal. O passivo tributário informado chega a R$ 15,746 bilhões em dívida ativa, valor considerado em grande parte exigível e sem garantias suficientes. Além disso, a tentativa de migrar para uma recuperação extrajudicial fracassou por falta de cumprimento dos requisitos legais.
Acusações pesadas
Na petição, a União e o Estado de São Paulo afirmam que há indícios de manipulações contábeis, sucessões societárias e confusão patrimonial entre empresas do grupo. Os procuradores sustentam que essas práticas teriam servido para esvaziar patrimônios, transferir ativos para novas empresas e dificultar a cobrança dos tributos devidos. Para os autores do pedido, somente a decretação da falência permitiria reunir os bens, aprofundar a investigação patrimonial, responsabilizar administradores e buscar eventual recuperação de ativos desviados.
Até o momento, o Grupo Dolly não havia se manifestado oficialmente sobre o pedido de falência. O caso representa mais um capítulo da crise enfrentada pela fabricante, que desde 2018 tenta superar problemas financeiros e tributários. Agora, caberá à Justiça decidir se a empresa continuará buscando alternativas para reorganizar suas dívidas ou se entrará definitivamente em processo de falência, colocando em risco a continuidade de uma das marcas de refrigerante mais conhecidas do país.