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Economia

Brasil produz menos do que antes da pandemia e escancara fragilidade da economia

02/07/2026 00:21 Por Redação NTD

Estudo mostra que produtividade segue abaixo do nível pré-Covid, expondo entraves históricos que freiam o crescimento e a competitividade do país

A economia brasileira até apresenta sinais de crescimento, mas continua falhando em um dos indicadores mais importantes para o desenvolvimento: a produtividade. Um novo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) revela que o país ainda produz com menos eficiência do que produzia antes da pandemia de Covid-19, evidenciando que a recuperação econômica não foi suficiente para restabelecer a capacidade produtiva nacional. O resultado reforça a avaliação de que parte do crescimento recente tem ocorrido sem avanços consistentes na geração de riqueza, na inovação e na competitividade.

Os dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do FGV Ibre, mostram que a Produtividade Total dos Fatores (PTF), indicador que mede a eficiência da combinação entre capital e trabalho, caiu 1,5% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o trimestre anterior, a retração foi de 0,6%. Mais preocupante ainda é que o índice permanece 5,8% abaixo do registrado em 2019, antes da pandemia, indicando que a economia brasileira ainda não conseguiu recuperar plenamente sua capacidade de produzir mais utilizando os mesmos recursos.

Alerta para o futuro

Para especialistas, o desempenho abaixo do esperado reflete problemas estruturais que o Brasil enfrenta há décadas. Baixo nível de investimentos, infraestrutura deficiente, dificuldades para incorporar novas tecnologias, excesso de burocracia e falhas na qualificação da mão de obra continuam limitando os ganhos de eficiência. Sem aumento da produtividade, o país encontra mais dificuldades para elevar salários, ampliar a competitividade das empresas, atrair investimentos e sustentar um crescimento econômico mais robusto no longo prazo.

O levantamento reforça um alerta sobre os desafios da economia brasileira nos próximos anos. Embora alguns indicadores apontem recuperação da atividade econômica, o país segue produzindo menos do que poderia e distante do desempenho observado antes da crise sanitária. Para economistas, sem reformas estruturais, maior incentivo à inovação e um ambiente mais favorável aos investimentos, o Brasil continuará convivendo com um crescimento limitado, menor geração de riqueza e dificuldades para acompanhar o ritmo das economias mais competitivas do mundo.