Nova audiência de conciliação busca encerrar paralisação que afeta milhões de passageiros e mantém incerteza sobre a circulação dos ônibus
A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro entrou no terceiro dia nesta quarta-feira cercada por expectativa e impasse. Depois de duas rodadas de negociações sem consenso, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) convocou uma nova audiência de conciliação na tentativa de aproximar trabalhadores e empresas de ônibus e colocar fim à paralisação. A reunião é vista como decisiva para definir os rumos do movimento, que tem provocado transtornos em diferentes regiões da capital fluminense e afetado a rotina de milhões de passageiros que dependem do transporte coletivo para trabalhar, estudar e cumprir compromissos diários.
Os rodoviários esperam que o sindicato patronal apresente uma proposta considerada definitiva para atender parte das reivindicações da categoria. Entre os principais pedidos estão reajuste salarial de 17%, vale-alimentação de R$ 1 mil, implantação de plano de saúde, mudança da escala de trabalho de 6x1 para 5x2 e melhorias nas condições de trabalho. A proposta apresentada anteriormente pelas empresas foi rejeitada em assembleia, levando os trabalhadores a manter a paralisação por tempo indeterminado. Enquanto isso, a Justiça determinou que pelo menos 80% da frota de ônibus permaneça em circulação durante a greve, sob pena de aplicação de multa ao sindicato caso a decisão não seja cumprida.
Negociação decisiva
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou esperar que a nova audiência represente um avanço nas negociações e permita o encerramento do movimento. Segundo ele, uma assembleia será convocada logo após a reunião no TRT para que os trabalhadores avaliem a eventual proposta das empresas e decidam se a greve será suspensa ou mantida. A expectativa também é acompanhada de perto pela Prefeitura do Rio, pelo Governo do Estado e pelos operadores do sistema de transporte, que monitoram os impactos da paralisação sobre a mobilidade urbana. Para reduzir os prejuízos à população, trens, metrô e barcas reforçaram a operação nos horários de maior movimento.
Desde o início da greve, a redução da frota de ônibus provocou longas filas nos pontos, superlotação em outros modais de transporte e aumento no tempo de deslocamento de milhares de pessoas. Em alguns momentos, também foram registrados protestos de rodoviários e interrupções na circulação de coletivos em vias importantes da cidade. Enquanto patrões e empregados seguem tentando chegar a um entendimento, a população aguarda uma solução que permita a normalização do serviço o mais rapidamente possível. O resultado da audiência desta quarta-feira poderá definir se a greve caminha para o fim ou se continuará afetando o dia a dia dos cariocas nos próximos dias.