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Brasil x Japão: comércio entre Mato Grosso e país asiático vai muito além da Copa do Mundo

29/06/2026 11:45 Por Redação NTD

Estado exportou mais de 535 mil toneladas de soja e farelo ao Japão em 2025, enquanto setor aposta na abertura do mercado para a carne bovina brasileira

O confronto entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo desperta a rivalidade dentro das quatro linhas, mas também evidencia uma parceria estratégica construída longe dos gramados. O país asiático consolidou-se como um dos principais compradores do agronegócio mato-grossense ao importar, em 2025, mais de 535 mil toneladas de soja e farelo produzidos no estado. Juntas, as exportações renderam cerca de US$ 193,9 milhões, reforçando a importância do mercado japonês para a economia de Mato Grosso. 

Os dados, compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) com base na Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que foram embarcadas 311,94 mil toneladas de farelo de soja, responsáveis por US$ 105,35 milhões em receitas. Já as exportações de soja em grão alcançaram 223,4 mil toneladas, movimentando outros US$ 88,61 milhões. O desempenho consolida o complexo soja como o principal elo comercial entre Mato Grosso e o Japão, que depende da importação de matérias-primas para abastecer sua cadeia de alimentos e proteínas. 

Nova oportunidade

Embora a soja lidere a pauta de exportações, a expectativa do setor agropecuário está voltada para um novo mercado: a carne bovina brasileira. A abertura das exportações para o Japão é considerada estratégica por produtores, indústria e governo federal, já que o país asiático é reconhecido por seu elevado rigor sanitário e pelo alto valor agregado pago aos fornecedores. Atualmente, grande parte da carne bovina consumida pelos japoneses é importada de países como Estados Unidos e Austrália. 

As negociações avançaram após o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, requisito considerado essencial para acessar mercados mais exigentes. O Japão ainda deverá realizar uma auditoria no sistema sanitário brasileiro antes de decidir sobre a autorização das importações. Caso o processo seja concluído com sucesso, Mato Grosso, dono do maior rebanho bovino do país, poderá ampliar sua presença no comércio internacional e diversificar ainda mais suas exportações para um dos mercados mais valorizados do mundo.