Especialistas alertam que a localização do hotel pode impactar os gastos, o tempo e a experiência do turista durante o roteiro
Na busca por economizar na viagem, muitos turistas acabam descobrindo que o barato pode sair caro. Embora o valor da diária seja um dos principais critérios na escolha da hospedagem, optar por um hotel ou apartamento distante das principais atrações pode elevar os custos com transporte, aumentar o tempo gasto em deslocamentos e comprometer o aproveitamento do destino. Dados da pesquisa “Tendências de Turismo Verão”, do Ministério do Turismo em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, mostram que 61% dos brasileiros realizam ao menos uma viagem de lazer por ano, tendo preço e custo-benefício entre os fatores mais relevantes na hora do planejamento.
Na prática, especialistas destacam que analisar apenas o preço anunciado nas plataformas de reservas é um dos erros mais frequentes dos viajantes. A fundadora do blog Viaja que Passa, Maria Fernanda Moro, explica que o custo real da hospedagem vai além da diária. Segundo ela, também é preciso considerar o tempo perdido em deslocamentos, os gastos extras com transporte e o impacto que a localização terá na experiência da viagem. Em muitos casos, uma diária mais barata acaba sendo compensada por despesas que não estavam previstas no orçamento inicial. “O principal erro é olhar apenas para o preço e esquecer de calcular o custo real da hospedagem. E esse custo não envolve apenas dinheiro, mas também tempo, energia e o quanto da viagem será consumido em deslocamentos, em vez de ser aproveitado de fato” , pondera.
Localização faz diferença
Antes de reservar um hotel, é recomendável avaliar fatores como acesso ao transporte público, proximidade dos principais pontos turísticos, oferta de comércio, restaurantes e serviços, além das condições de segurança da região. Para quem pretende visitar museus, centros históricos ou atrações concentradas em um mesmo bairro, permanecer próximo desses locais pode representar uma economia significativa de tempo e dinheiro, mesmo que a hospedagem tenha um custo inicial mais elevado.
O cuidado também vale para destinos internacionais. Em cidades como Amsterdã, onde hotéis centrais costumam ter preços mais altos, escolher regiões bem conectadas por transporte público pode ser uma alternativa inteligente para equilibrar economia e praticidade. Já em Londres, a divisão da cidade por zonas tarifárias faz com que a localização da hospedagem influencie diretamente os gastos diários com deslocamentos. O presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, reforça que comparar o acesso ao transporte, a distância das atrações e a infraestrutura do bairro é essencial para evitar gastos inesperados e garantir um melhor custo-benefício durante toda a viagem.