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Marcas que Conectam

Por que o vendedor na porta da loja pode, na verdade, afastar os clientes

26/06/2026 19:00 Por Marcia Fialho

Muitas vezes, fazemos algo com a melhor das intenções, porque achamos que é o certo, e acabamos produzindo exatamente o resultado oposto ao que desejamos.

Um exemplo clássico acontece todos os dias em lojas de rua e até mesmo em grandes shoppings. É comum que vendedores sejam orientados a permanecer na entrada do estabelecimento para receber os clientes, cumprimentá-los e convidá-los a entrar. À primeira vista, parece ser uma ótima ideia, afinal, quem não gosta de ser bem recebido?

Só que existe um detalhe importante, que geralmente não é levado em consideração: o cérebro humano e seus instintos básicos.

Nosso cérebro moderno continua carregando mecanismos de sobrevivência desenvolvidos há milhares de anos. Embora hoje não precisemos mais fugir de predadores nem nos proteger em cavernas, parte da nossa estrutura cerebral continua funcionando da mesma forma. Uma das funções desses mecanismos é avaliar rapidamente possíveis ameaças ao nosso redor. As ameaças mudam, mas as reações não.

Quando uma pessoa passa em frente a uma loja e encontra um vendedor parado na porta, seu cérebro pode interpretar aquela situação como uma forma de pressão. Em muitos casos, surge uma sensação desconfortável, ainda que totalmente inconsciente.O cliente não pensa racionalmente "estou sendo pressionado."Ele simplesmente sente isso, e reage.

Vem aquela sensação de estar sendo “caçado”. A pessoa sente que terá de justificar por que entrou na loja, que precisará dizer que está apenas olhando. Sente que está sendo observado, fica com medo de ser constrangido a comprar algo que não quer. E, diante desse desconforto, o caminho mais fácil para o cérebro é evitar a situação. E fugir. Por isso, ao ver o vendedor em pé na porta, muitas pessoas acabam mudando ligeiramente sua trajetória ou simplesmente passando direto pela loja. O curioso é que elas próprias raramente conseguem explicar por que fizeram isso.

A neurociência nos mostra que grande parte das nossas decisões acontece primeiro no campo emocional e inconsciente. A justificativa racional costuma aparecer depois.

Isso não significa que o vendedor deva ser frio ou distante, pelo contrário. O atendimento continua sendo um dos fatores mais importantes da experiência do cliente. A diferença está na forma como essa aproximação acontece.

Ambientes acolhedores costumam gerar melhores resultados do que ambientes que transmitem vigilância ou pressão. Uma vitrine bem planejada, uma iluminação agradável, uma organização inteligente dos produtos, e uma atmosfera convidativa despertam curiosidade. O cliente entra porque decide entrar. E vender para quem está se sentindo confortável é muito mais fácil.

O vendedor, por sua vez, pode se mostrar disponível, receptivo e simpático, mas respeitando o espaço necessário para que a pessoa explore o ambiente com tranquilidade. Se for possível oferecer um café, uma água ou uma atenção genuína sem insistência, sem perseguição, melhor ainda.

Todos nós gostamos de nos sentir valorizados. O que não gostamos é de nos sentir caçados.

Esse é um excelente exemplo de como pequenos detalhes podem produzir grandes mudanças nos resultados de uma marca. Muitas vezes, não é necessário investir mais dinheiro, contratar novas equipes ou criar campanhas complexas. Basta compreender melhor como o cérebro humano funciona. Quando entendemos os mecanismos que influenciam comportamento, percepção e tomada de decisão, conseguimos criar experiências mais agradáveis, fortalecer a conexão emocional com os clientes e construir marcas muito mais fortes.

Porque, no final das contas, as pessoas não escolhem apenas comprar produtos. Elas escolhem como querem se sentir.

@marciafialhobranding

Marcia Fialho é designer estrategista de marcas, especialista em Neurobranding, com mais de 40 anos de experiência em branding e comunicação. Nesta coluna semanal, compartilha reflexões e estratégias para empresas que desejam fortalecer sua marca e se adaptar ao mercado atual.

Marcia Fialho é designer estrategista de marcas, especialista em Neurobranding, com mais de 40 anos de experiência em branding e comunicação. Nesta coluna semanal, compartilha reflexões e estratégias para empresas que desejam fortalecer sua marca e se adaptar ao mercado atual.