Consulta do Banco Central mostra que economistas passaram a considerar o fenômeno climático como mais um fator de pressão sobre a inflação
A inflação brasileira pode ganhar um novo combustível nos próximos meses. Além das incertezas relacionadas ao cenário fiscal, às oscilações do dólar, aos preços internacionais das commodities, e às tensões da economia global, economistas passaram a apontar o El Niño como mais um fator capaz de pressionar o custo de vida no país. Em consulta realizada pelo Banco Central, analistas do mercado financeiro revisaram suas projeções e avaliam que os efeitos do fenômeno climático tendem a elevar principalmente os preços dos alimentos e da energia elétrica, ampliando os desafios para manter a inflação dentro da meta estabelecida pela autoridade monetária.
De acordo com a pesquisa, as mudanças provocadas pelo El Niño podem comprometer a produção agrícola em diferentes regiões do Brasil, reduzindo a oferta de diversos produtos e encarecendo itens essenciais da cesta de consumo das famílias. Frutas, verduras, legumes, café, carnes e grãos aparecem entre os alimentos mais suscetíveis aos impactos das alterações no regime de chuvas e nas temperaturas. Além disso, períodos de estiagem podem afetar os reservatórios das hidrelétricas, elevando os custos da geração de energia e produzindo efeitos em cadeia sobre diferentes setores da economia.
Mais um desafio para a economia
Na avaliação dos especialistas, o fenômeno climático não é o único responsável pelas perspectivas de inflação mais elevada, mas passa a integrar uma lista crescente de fatores de risco acompanhados pelo mercado. Caso seus efeitos se intensifiquem ao longo dos próximos meses, o El Niño poderá dificultar ainda mais o processo de desaceleração dos preços, pressionando custos de produção, transporte e distribuição. Esse cenário aumenta a cautela de investidores e economistas em relação às próximas decisões do Banco Central sobre a política monetária.
Embora o comportamento da inflação continue dependendo de fatores como o câmbio, a atividade econômica, o equilíbrio das contas públicas, e o cenário internacional, os economistas destacam que os eventos climáticos extremos vêm ganhando peso cada vez maior nas projeções. Nesse contexto, o El Niño deixa de ser apenas uma preocupação ambiental para se consolidar como mais um elemento capaz de influenciar diretamente a economia brasileira, afetando o orçamento das famílias e tornando ainda mais complexo o desafio de controlar a alta dos preços em 2026.