Senival Moura está entre os presos da Operação Última Parada, que investiga o uso de uma concessionária de ônibus de São Paulo para ocultar recursos da facção criminosa
A prisão do vereador Senival Moura (PT) colocou um novo personagem político no centro de uma das maiores investigações sobre lavagem de dinheiro atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, apura o uso da empresa de ônibus Transunião para movimentar recursos da organização criminosa e revelou que a concessionária recebeu cerca de R$ 180 milhões em subsídios da Prefeitura de São Paulo apenas no primeiro semestre deste ano. Além do parlamentar, também foram presos Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, apontado como diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento, o “Sapo”, motorista e homem de confiança do vereador.
As investigações apontam que a Transunião movimentou mais de R$ 300 milhões em recursos do sistema municipal de transporte e teria sido utilizada para integrar dinheiro do crime organizado à economia formal. Segundo a Polícia Civil, a empresa era controlada por um núcleo ligado ao PCC, que exercia influência sobre sua administração e movimentações financeiras. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 194 milhões em contas bancárias dos investigados, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações, bem como o afastamento da diretoria da concessionária.
Esquema sob investigação
De acordo com os investigadores, o inquérito teve início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020, e reuniu elementos que indicam que a empresa servia para ocultar e movimentar recursos ilícitos da facção. A apuração também identificou um crescimento considerado incompatível do capital social da concessionária, que passou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem comprovação da origem dos recursos, reforçando as suspeitas de lavagem de dinheiro.
Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, a Operação Última Parada mantém conexões com outras investigações sobre a estrutura financeira do PCC, como as operações Vérnix, Mafiusi e Carbono Oculto. As autoridades afirmam que as apurações prosseguem para identificar todos os envolvidos e esclarecer a participação de agentes públicos e empresários no esquema. A defesa dos investigados ainda poderá se manifestar ao longo do processo judicial.