Com vantagem considerada irreversível na apuração, líder conservadora faz discurso de conciliação e se prepara para assumir a Presidência
Após semanas de apuração apertada e de um ambiente de intensa polarização política, a conservadora Keiko Fujimori discursou nesta quarta-feira, 24, como virtual vencedora das eleições presidenciais do Peru, e prometeu trabalhar pela reunificação do país. Com mais de 99,8% dos votos contabilizados, a candidata do partido Força Popular abriu uma vantagem considerada matematicamente irreversível sobre o adversário de esquerda Roberto Sánchez, encerrando uma disputa marcada por forte mobilização popular e debates sobre segurança pública, economia e governabilidade. Embora a proclamação oficial ainda dependa da conclusão dos procedimentos eleitorais, o resultado já é tratado como definido pela imprensa local e observadores políticos.
Em pronunciamento a apoiadores em Lima, Keiko Fujimori adotou um tom conciliador e afirmou que governará para todos os peruanos, independentemente de posição ideológica ou região do país. A candidata destacou a necessidade de superar divisões políticas que se aprofundaram nos últimos anos e defendeu um pacto nacional voltado à estabilidade institucional. Ela também sinalizou a formação de uma equipe técnica para enfrentar desafios considerados urgentes, como o combate ao crime organizado, a recuperação da confiança dos investidores, a geração de empregos e a melhoria dos serviços públicos.
País dividido
A vitória representa uma reviravolta histórica para Keiko Fujimori, que disputava a Presidência pela quarta vez após derrotas em eleições anteriores. Filha do ex-Presidente Alberto Fujimori, uma das figuras mais influentes e controversas da política peruana, ela conquistou cerca de 50,1% dos votos válidos, superando Roberto Sánchez por pouco mais de 43 mil votos. O resultado evidencia o equilíbrio da disputa e reflete a divisão do eleitorado entre projetos políticos distintos para o futuro do país. Ainda assim, a vitória consolida o retorno do fujimorismo ao centro do poder após anos de turbulência institucional.
Apesar da vantagem praticamente irreversível da adversária, Sánchez se recusou a reconhecer a derrota, e voltou a questionar a lisura do processo eleitoral, alegando irregularidades sem apresentar provas. Autoridades eleitorais e missões internacionais de observação, entretanto, afirmaram não ter identificado evidências que comprometam a validade da votação. Caso o resultado seja oficialmente confirmado, Fujimori tomará posse em 28 de julho e terá como principal desafio transformar a promessa de unidade em uma agenda concreta de governo, capaz de reduzir tensões políticas e recolocar o Peru em uma trajetória de estabilidade econômica e institucional.