Apuração envolve suspeitas sobre o credenciamento de programa de crédito consignado durante a gestão de Mauro Mendes e foi aberta a pedido da PGR
A ofensiva das investigações sobre o chamado “caso Banco Master” chegou a mais um nome de peso da política brasileira. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu uma investigação contra o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, para apurar suspeitas de irregularidades relacionadas ao credenciamento do programa Credcesta, modalidade de crédito consignado vinculada ao Banco Master. A apuração, que tramita sob sigilo, foi instaurada após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com as informações reveladas pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, os investigadores analisam se houve favorecimento ao Banco Master durante o processo de autorização do Credcesta em Mato Grosso, em 2023. A suspeita se concentra na rapidez com que o programa foi aprovado pelo governo estadual após a criação de uma margem consignável específica para a operação. O caso é tratado como um desdobramento das investigações que já atingem outros agentes públicos e empresários ligados ao banco.
Credenciamento sob suspeita
Segundo a investigação, poucos dias após a publicação de um decreto estadual criando uma margem exclusiva para cartões de benefício destinados a servidores públicos, o Banco Master solicitou autorização para operar o programa em Mato Grosso. O processo de análise e aprovação ocorreu em um intervalo considerado incomum pelos investigadores, o que motivou o aprofundamento das apurações. A Polícia Federal e o Ministério Público também analisam possíveis conexões entre o modelo adotado no estado e iniciativas semelhantes implementadas em outras unidades da federação.
Mauro Mendes nega qualquer irregularidade e afirma que todos os atos de sua gestão seguiram os princípios legais da administração pública. O ex-governador sustenta que diversas instituições financeiras foram credenciadas durante seu mandato e que a aprovação do Credcesta ocorreu dentro dos procedimentos adotados pelo governo estadual. Enquanto isso, sindicatos de servidores e entidades que questionam a operação do consignado apontam relatos de superendividamento e contratos considerados problemáticos, questões que também passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pelas autoridades.