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CUIDADO! Tags escondidas transformam objetos do dia a dia em ferramenta de perseguição a mulheres

24/06/2026 11:22 Por Redação NTD

Dispositivos de rastreamento são encontrados em carros, mochilas e até pertences de crianças; autoridades alertam para possível enquadramento no crime de stalking

Pequenas, baratas e quase invisíveis. As chamadas tags de rastreamento, criadas para ajudar usuários a localizar objetos perdidos, estão sendo usadas por homens para monitorar mulheres sem consentimento em São Paulo. O recurso tecnológico, que cabe na palma da mão e custa menos de R$ 100, tem aparecido cada vez mais em denúncias registradas por vítimas que descobriram estar sendo acompanhadas em tempo real por ex-companheiros e perseguidores. 

Segundo investigadores e autoridades da área de segurança, os dispositivos já foram encontrados escondidos em carros, bolsas, mochilas e até em objetos utilizados por filhos de vítimas. Em um dos casos relatados, uma mulher descobriu que estava sendo monitorada após receber um alerta no celular indicando a presença de uma tag desconhecida acompanhando seus deslocamentos. Depois de procurar o equipamento por horas, ela encontrou o rastreador escondido dentro do tênis do filho. 

Vigilância silenciosa

A Polícia Civil e especialistas em violência contra a mulher alertam que a tecnologia tem se tornado uma nova ferramenta de controle e intimidação. Os equipamentos permitem que agressores acompanhem rotinas, locais frequentados e deslocamentos sem a necessidade de contato direto com a vítima. Além das tags, também são relatados casos de aplicativos instalados clandestinamente em celulares para monitoramento de localização e comunicações. 

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e especialistas jurídicos, a prática pode configurar o crime de perseguição, conhecido como stalking, previsto no artigo 147-A do Código Penal. A legislação brasileira considera crime perseguir alguém de forma reiterada, inclusive por meios tecnológicos, invadindo sua privacidade ou restringindo sua liberdade. Autoridades orientam vítimas a registrar boletim de ocorrência, preservar provas e buscar medidas protetivas sempre que identificarem sinais de monitoramento não autorizado.