Dispositivos de rastreamento são encontrados em carros, mochilas e até pertences de crianças; autoridades alertam para possível enquadramento no crime de stalking
Pequenas, baratas e quase invisíveis. As chamadas tags de rastreamento, criadas para ajudar usuários a localizar objetos perdidos, estão sendo usadas por homens para monitorar mulheres sem consentimento em São Paulo. O recurso tecnológico, que cabe na palma da mão e custa menos de R$ 100, tem aparecido cada vez mais em denúncias registradas por vítimas que descobriram estar sendo acompanhadas em tempo real por ex-companheiros e perseguidores.
Segundo investigadores e autoridades da área de segurança, os dispositivos já foram encontrados escondidos em carros, bolsas, mochilas e até em objetos utilizados por filhos de vítimas. Em um dos casos relatados, uma mulher descobriu que estava sendo monitorada após receber um alerta no celular indicando a presença de uma tag desconhecida acompanhando seus deslocamentos. Depois de procurar o equipamento por horas, ela encontrou o rastreador escondido dentro do tênis do filho.
Vigilância silenciosa
A Polícia Civil e especialistas em violência contra a mulher alertam que a tecnologia tem se tornado uma nova ferramenta de controle e intimidação. Os equipamentos permitem que agressores acompanhem rotinas, locais frequentados e deslocamentos sem a necessidade de contato direto com a vítima. Além das tags, também são relatados casos de aplicativos instalados clandestinamente em celulares para monitoramento de localização e comunicações.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e especialistas jurídicos, a prática pode configurar o crime de perseguição, conhecido como stalking, previsto no artigo 147-A do Código Penal. A legislação brasileira considera crime perseguir alguém de forma reiterada, inclusive por meios tecnológicos, invadindo sua privacidade ou restringindo sua liberdade. Autoridades orientam vítimas a registrar boletim de ocorrência, preservar provas e buscar medidas protetivas sempre que identificarem sinais de monitoramento não autorizado.