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Política

Flávio vai aos EUA tentar barrar tarifaço e culpa Lula pela ameaça

23/06/2026 12:35 Por Redação NTD

Senador decide agir diretamente em Washington para tentar barrar novas tarifas sobre produtos brasileiros

A crise comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou contornos de confronto político internacional e promete incendiar ainda mais o debate eleitoral de 2026. Em meio à ameaça de um novo “tarifaço” que pode atingir setores estratégicos da economia brasileira, o senador Flávio Bolsonaro anunciou que viajará aos Estados Unidos para participar de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A iniciativa ocorre em um momento de crescente preocupação entre empresários e exportadores, que temem impactos bilionários caso as novas taxas sejam confirmadas. Ao justificar a viagem, Flávio fez duras críticas ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando o governo de não agir com firmeza para impedir o avanço das medidas que podem afetar diretamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

Segundo o senador, a ausência de uma reação mais contundente por parte do Palácio do Planalto abriu espaço para que a relação comercial entre os dois países chegasse a um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Flávio afirma que pretende apresentar argumentos técnicos e econômicos durante a audiência para demonstrar os prejuízos que as tarifas podem causar não apenas ao Brasil, mas também às empresas e consumidores americanos. O parlamentar também defende a criação de uma mesa permanente de negociação entre os dois governos, com o objetivo de evitar uma escalada das tensões comerciais. Nos bastidores, representantes do setor produtivo acompanham o caso com apreensão, diante do risco de perda de mercados, redução das exportações, e possíveis reflexos sobre empregos e investimentos.

Pressão em Washington

A audiência do USTR se tornou um dos principais focos da disputa diplomática envolvendo os dois países. A investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos tem como base a Seção 301 da legislação americana, mecanismo utilizado para analisar práticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos do país. Entre os temas colocados sob análise estão regras comerciais brasileiras, questões regulatórias, e, até mesmo, o sistema de pagamentos Pix, que passou a ser citado no debate. O encerramento do prazo para inscrições na audiência aumentou a pressão política, especialmente após aliados de Flávio afirmarem que representantes do governo brasileiro não teriam demonstrado protagonismo suficiente no processo. A avaliação da oposição é de que o Brasil corre o risco de perder espaço em um de seus mercados mais importantes caso não haja uma resposta rápida e coordenada.

O episódio transformou uma disputa comercial em uma verdadeira batalha política de alcance internacional. De um lado, o governo Lula sustenta que vem trabalhando para preservar os interesses brasileiros, e atribui parte da tensão à atuação de integrantes da oposição junto a autoridades americanas. Do outro, aliados de Flávio Bolsonaro afirmam que a atual política externa contribuiu para o desgaste da relação com Washington e para o avanço das ameaças tarifárias. Em meio às acusações mútuas, cresce a expectativa sobre os desdobramentos da audiência nos Estados Unidos, que pode influenciar não apenas o futuro das exportações brasileiras, mas também o discurso dos principais grupos políticos que disputarão o comando do país nas eleições do próximo ano. O resultado desse embate é acompanhado com atenção por empresários, investidores e trabalhadores, que veem no tarifaço uma ameaça capaz de provocar efeitos econômicos muito além das fronteiras da diplomacia.