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Keiko Fujimori fica a um passo da Presidência do Peru e oposição convoca manifestações

21/06/2026 21:03 Por Redação NTD

Apuração apertada mantém tensão política no país enquanto Roberto Sánchez questiona parte dos resultados e mobiliza apoiadores

O Peru vive dias de expectativa e incerteza após uma das disputas presidenciais mais equilibradas de sua história recente. Com a contagem dos votos praticamente concluída, a candidata de direita Keiko Fujimori aparece muito próxima de conquistar a Presidência da República, abrindo caminho para sua quarta tentativa eleitoral terminar em vitória. Embora a diferença seja pequena, os números indicam uma vantagem consistente sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez, alimentando a percepção de que o resultado dificilmente será revertido nas etapas finais de análise das atas eleitorais. 

A vantagem de Keiko Fujimori foi impulsionada principalmente pelos votos do exterior e por regiões onde seu grupo político tradicionalmente possui maior força eleitoral. Com mais de 99% das urnas processadas, a candidata mantém uma dianteira de dezenas de milhares de votos, enquanto os órgãos eleitorais seguem avaliando recursos e contestações apresentados pelas campanhas. Missões internacionais de observação eleitoral ligadas à Organização dos Estados Americanos e à União Europeia afirmaram que o processo transcorreu dentro da normalidade, reforçando a confiança institucional na apuração. 

País dividido

Mesmo diante do cenário favorável à adversária, Roberto Sánchez se recusou a admitir derrota e convocou manifestações de apoiadores em defesa do que chama de respeito à vontade popular. O candidato e seu partido alegam possíveis irregularidades em parte da documentação eleitoral, especialmente nos votos registrados no exterior, e prometem recorrer às instâncias legais para tentar reverter ou revisar resultados contestados. As mobilizações convocadas por seus aliados aumentaram a tensão política em um país que já enfrenta anos de instabilidade institucional e sucessivas crises de governabilidade. 

O momento reacende um debate que acompanha a política peruana há mais de uma década: como reconstruir a confiança da população em instituições constantemente abaladas por confrontos políticos, denúncias e mudanças de governo. Caso a vitória seja confirmada, Keiko Fujimori se tornará a primeira mulher eleita diretamente para a Presidência do Peru. No entanto, a possível conquista também traz desafios significativos. A futura presidente herdará um país profundamente polarizado, marcado por divisões ideológicas, desgaste das instituições e uma crescente demanda da população por segurança, estabilidade econômica e combate à corrupção.