Senador afirma que valores encontrados tinham origem em diárias de viagens oficiais e nega ligação com o Banco Master
Em meio à repercussão da operação da Polícia Federal que colocou um dos principais articuladores políticos do governo no centro das atenções, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu demonstrar publicamente confiança em seu aliado. Horas depois de a PF apreender cerca de US$ 49 mil em um endereço ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo e uma das principais lideranças petistas no Senado, o parlamentar revelou ter recebido uma ligação de solidariedade do Presidente. Wagner relatou que Lula pediu que ele permanecesse firme diante das investigações e reafirmou sua confiança no trabalho desenvolvido pelo senador.
Alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, e favorecimento a interesses ligados ao Banco Master, Wagner afirmou que os recursos apreendidos têm origem legal. De acordo com o senador, os dólares correspondem a diárias recebidas do Senado para viagens oficiais ao exterior ao longo dos últimos anos. Ele sustentou que os valores estavam devidamente identificados, armazenados em envelopes oficiais e declarados às autoridades competentes. O parlamentar também negou ter recebido vantagens indevidas ou mantido relações comerciais com a instituição financeira investigada.
Defesa e investigação
A operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. As apurações da Polícia Federal apontam suspeitas de que o senador teria atuado em pautas de interesse do Banco Master dentro do Congresso Nacional, hipótese que é rejeitada por Wagner. Os investigadores também analisam documentos, movimentações financeiras e outros elementos recolhidos durante a ação para verificar a existência de eventuais benefícios concedidos ao parlamentar em troca de atuação política.
Apesar da pressão política gerada pela operação, Jaques Wagner afirmou que não vê motivos para deixar a liderança do governo no Senado, e disse acreditar que continuará exercendo a função enquanto contar com a confiança do Presidente da República. A declaração ocorre em um momento delicado para o Palácio do Planalto, que busca administrar os impactos políticos da investigação sem abrir mão de um de seus principais interlocutores no Congresso. Enquanto a PF aprofunda as apurações, o senador mantém o discurso de que provará a legalidade dos recursos apreendidos e de que as suspeitas levantadas pela investigação não correspondem aos fatos.