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Bem-estar & Saúde

Pós-verão: Calor extremo deixa rastro silencioso de 120 mil mortes no Brasil em duas décadas

18/06/2026 17:57 Por Redação NTD

Estudo nacional aponta avanço das ondas de calor no país e revela maior impacto sobre idosos, mulheres e populações socialmente vulneráveis

Enquanto os termômetros sobem e as cidades seguem a rotina, um inimigo quase invisível tem cobrado um preço alto da população brasileira. Um levantamento inédito mostra que as ondas de calor estiveram associadas a cerca de 120 mil mortes no país entre 2000 e 2019, transformando o calor extremo em um dos mais preocupantes desafios de saúde pública da atualidade. O número representa aproximadamente 0,6% de todas as mortes registradas no período, excluindo causas externas como acidentes e violências. 

Realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o estudo analisou dados de 5.566 municípios brasileiros e identificou uma relação consistente entre a exposição às ondas de calor e o aumento da mortalidade. Os efeitos mais severos foram observados entre idosos, pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares, mulheres e indivíduos com menor escolaridade, evidenciando também um componente de desigualdade social nos impactos climáticos. 

Calor em expansão

Além das mortes, a pesquisa constatou aumento das internações por doenças respiratórias, renais, gastrointestinais e metabólicas durante períodos de temperaturas extremas. Entre crianças com menos de 10 anos, as gastroenterites apareceram como uma das principais causas de hospitalização associadas ao calor. Já entre idosos, houve maior sensibilidade a problemas respiratórios, insuficiência renal e diabetes, além de indícios de agravamento rápido de doenças cardiovasculares. 

Os pesquisadores também verificaram que a frequência e a intensidade das ondas de calor cresceram na maior parte do território brasileiro entre 2000 e 2019. Os eventos mais duradouros foram registrados principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, enquanto os episódios mais intensos ocorreram no Sul e no Sudeste. Diante desse cenário, especialistas defendem a ampliação dos sistemas de monitoramento e alerta, além da integração das informações climáticas às políticas de vigilância em saúde e planejamento urbano, como forma de reduzir os impactos de um fenômeno que já custa milhares de vidas no país.