Montagem inspirada na obra de Itamar Vieira Junior foi o grande destaque da noite; Guida Vianna, Gregório Duvivier e Grupo Galpão foram homenageados
Sob os refletores do Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro, a noite de segunda-feira, 16, reuniu alguns dos maiores nomes das artes cênicas brasileiras em uma celebração marcada por emoção, homenagens e reconhecimento ao talento. Na 20ª edição do Prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro), o grande protagonista foi “Torto Arado – O Musical”, que dominou a premiação e confirmou sua força junto à crítica e ao público. O evento contou com a presença de artistas como Marieta Severo, Taís Araujo, Renata Sorrah, Mel Lisboa, Drica Moraes, Maria Clara Gueiros e Edu Moscovis, além de produtores, diretores, dramaturgos e técnicos que ajudam a construir diariamente a cena teatral do país. A cerimônia também prestou emocionantes homenagens aos veteranos Arlete Salles e Stepan Nercessian, celebrando suas trajetórias e contribuições para a cultura brasileira.
A premiação reservou ainda momentos de forte carga afetiva. A atriz Guida Vianna recebeu o prêmio pelo conjunto da obra, enquanto Gregório Duvivier foi reconhecido pelo trabalho em “O Céu da Língua”. Já o tradicional Grupo Galpão foi homenageado pelos seus 50 anos de história, reafirmando sua importância para o teatro nacional. Um dos momentos mais emocionantes da noite aconteceu quando o ator Raul Gazolla subiu ao palco para receber, em nome da enteada, Milla Fernandez, o troféu de Jovem Talento (Revelação) pela atuação no monólogo “TIP – Antes que me queimem eu mesma me atiro no fogo”. A atriz não pôde comparecer à cerimônia por estar cumprindo compromissos profissionais, mas foi representada por Gazolla, que discursou com bom humor e evidente orgulho, arrancando aplausos da plateia.
Destaques da noite
Entre os trabalhos mais lembrados da premiação estiveram os espetáculos “(Um) Ensaio sobre a Ceguera” e “Torto Arado – O Musical”, que figuraram entre os finalistas e vencedores em diferentes categorias. Na direção, os reconhecimentos foram para André Paes Leme, por “Como nos Livros”, e Elísio Lopes Jr., por “Torto Arado – O Musical”, reforçando a relevância artística da montagem inspirada na obra de Itamar Vieira Junior. A diversidade de propostas entre os indicados evidenciou a vitalidade do teatro brasileiro, que segue produzindo espetáculos capazes de dialogar com diferentes públicos e linguagens.
Na dramaturgia, os premiados foram Gregório Duvivier e Luciana Paes, autores de “O Céu da Língua”, enquanto “Do que são feitas as estrelas?” venceu na categoria de espetáculo infantil. A conquista de Milla Fernandez também ganhou destaque nos bastidores do evento. Filha de Fernanda Loureiro, esposa de Raul Gazolla, a jovem atriz foi criada pelo artista e, neste ano, pediu para adotar legalmente o sobrenome do ator, tornando ainda mais simbólico o momento vivido no palco. Ao completar duas décadas de existência, o Prêmio APTR reafirmou seu papel como uma das principais vitrines do teatro brasileiro, celebrando talentos consagrados e revelações que ajudam a renovar e fortalecer as artes cênicas no país.