Presidente exalta a eletrificação da frota e a indústria verde, enquanto consumidores podem enfrentar preços mais altos com nova tributação
O discurso do governo federal é de incentivo à mobilidade sustentável, mas a realidade para o consumidor brasileiro pode seguir na direção oposta. A partir de julho de 2026, os carros elétricos importados passarão a pagar 35% de imposto de importação, medida que tende a elevar os preços dos veículos e dificultar o acesso da população a uma tecnologia que o próprio Presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido publicamente como símbolo da modernização da indústria nacional.
Nos últimos anos, Lula fez diversas declarações em favor da eletrificação da frota brasileira. Em um discurso no Ceará, afirmou que “primeiro nós temos que garantir que o povo brasileiro tenha o direito de andar num carro bonito”. Em outra ocasião, ao comentar investimentos da General Motors no país, destacou que “é por isso que é importante o carro elétrico”, associando a nova tecnologia à competitividade da indústria brasileira e à geração de empregos.
Contradição em debate
Apesar do discurso favorável aos veículos eletrificados, críticos da medida apontam uma contradição entre a defesa pública dos carros elétricos e o aumento da carga tributária sobre os modelos importados. O governo argumenta que a retomada gradual do imposto busca estimular a produção nacional e atrair fábricas para o Brasil, mas especialistas avaliam que, no curto prazo, a consequência mais imediata será o encarecimento dos veículos para o consumidor final.
Lula também afirmou recentemente que “o carro elétrico e a tecnologia não são o futuro, são o presente”, ao destacar investimentos chineses e programas como o Mover e a Nova Indústria Brasil. No entanto, com a alíquota de importação chegando ao patamar máximo de 35%, a popularização dos carros elétricos pode enfrentar obstáculos justamente no momento em que o governo busca consolidar o país como protagonista da chamada revolução verde. O resultado é um cenário em que o incentivo à produção nacional convive com uma maior dificuldade de acesso aos veículos por parte dos consumidores.