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Economia

Copa e tensões comerciais desafiam logística dos e-commerces

15/06/2026 10:26 Por Redação NTD

Tecnologia e capacidade de adaptação serão decisivas para empresas enfrentarem o aumento da demanda e a instabilidade no comércio internacional 

Os jogos da Copa do Mundo de 2026 não movimentam apenas torcedores e marcas. Nos bastidores do comércio eletrônico, o torneio já é tratado como um teste de estresse para operações logísticas que precisarão lidar com picos de demanda, consumidores cada vez mais exigentes, e um cenário internacional marcado por incertezas comerciais. A discussão sobre a formalização tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros reforça ainda mais a necessidade de planejamento e capacidade de resposta rápida.

Para Carlos Tanaka, empresário e especialista em logística e operações da Orange Envios, a logística deixou de ser uma área de suporte para ocupar posição estratégica dentro das empresas. Segundo ele, eventos de grande porte, como a Copa do Mundo, costumam impulsionar as vendas em diversos segmentos do varejo, mas também expõem fragilidades operacionais. “Empresas que não possuem flexibilidade operacional acabam sentindo mais rapidamente os impactos sobre prazo, custo e experiência do cliente”, afirma. O alerta ocorre em um momento em que o comércio eletrônico brasileiro segue em expansão, com projeções da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) indicando movimentação superior a R$ 259 bilhões em 2026.

Tecnologia como diferencial

De acordo com Wagner Righetti, especialista em tecnologia para logística, transporte e automação operacional, o maior desafio não está necessariamente no aumento do volume de pedidos, mas na capacidade das empresas de processar informações e tomar decisões em tempo real. Ele avalia que muitos negócios cresceram comercialmente, mas continuam dependentes de processos manuais, o que reduz a eficiência diante de mudanças rápidas na demanda ou no ambiente econômico. “A falta de inteligência operacional acaba se transformando em atrasos, custos adicionais e perda de eficiência”, destaca.

Com experiência no desenvolvimento de soluções para grandes empresas do setor logístico e financeiro, Righetti defende que a integração de sistemas, a automação, e o uso de inteligência artificial serão fundamentais para o futuro das operações. Segundo ele, tecnologias capazes de prever demanda, otimizar rotas, redistribuir cargas e identificar gargalos antes que afetem o consumidor representam uma vantagem competitiva crescente. Para os especialistas, a Copa do Mundo de 2026 funcionará como um importante laboratório para medir a maturidade logística das empresas brasileiras, separando aquelas que tratam a operação apenas como custo das que a enxergam como elemento central para sustentar o crescimento, e preservar a experiência do cliente.