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Clássico premiado ganha sessão gratuita no Cine Arte UFF

14/06/2026 09:47 Por Redação NTD

Exibição de “Proezas de Satanás na Vila de Leva-e-Traz” será acompanhada de debate com pesquisadores de Cinema no dia 25 de junho, em Niterói

Entre milagres improváveis, promessas de riqueza e a presença irreverente do próprio Satanás, um dos clássicos mais originais do Cinema brasileiro volta à tela grande em Niterói. O Cineclube Rã Vermelha promove, no próximo dia 25, às 19h00, uma sessão gratuita de Proezas de Satanás na Vila de Leva-e-Traz (1967), no Cine Arte UFF. Após a exibição, o público poderá participar de um debate com os pesquisadores Lucas Reis, mestre e doutorando em Cinema e Audiovisual pela UFF, e Adriano Del Duca, sociólogo, mestre em Cinema e Audiovisual pela UFF e doutorando em Educação pela UFRJ.

Dirigido e roteirizado por Paulo Gil Soares, o longa mistura comédia, sátira política, religiosidade popular e elementos da literatura de cordel para construir uma crítica às promessas de progresso e modernização que marcaram o Brasil dos anos 1960. A obra dá continuidade à pesquisa do cineasta sobre a cultura sertaneja, já explorada em documentários como Memória do Cangaço (1964), utilizando o universo nordestino como cenário para reflexões sobre a consciência popular e os discursos desenvolvimentistas.

Sátira e fantasia

Na trama, a pacata Vila de Leva-e-Traz tem sua rotina transformada após a descoberta de um poço de petróleo nas proximidades. Enquanto os mais jovens e até o padre deixam a cidade em busca de oportunidades, permanecem apenas idosos, inválidos e crianças. É nesse contexto que surge Satanás, personagem astuto e bem-humorado que assume diferentes formas, realiza feitos extraordinários e conquista a confiança dos moradores, tornando-se uma metáfora mordaz das ilusões coletivas alimentadas em nome do desenvolvimento e do poder político.

Com elenco formado por Emmanuel Cavalcanti, Jofre Soares, Joel Barcellos e Thelma Reston, entre outros nomes, o filme também se destaca pela trilha sonora com canções de Caetano Veloso, que comentam de forma irônica os acontecimentos da narrativa. A produção recebeu os prêmios de Melhor Filme, Melhor Argumento e Melhor Música no Festival de Brasília de 1967, além do troféu de Melhor Filme no Festival de Cinema de Paris. Para os organizadores do Cineclube Rã Vermelha, a sessão representa uma oportunidade de apresentar ao público uma joia do cinema nacional, capaz de unir humor, fantasia e crítica social em uma obra que permanece atual e provocadora.