Ministério Público argumenta que manutenção das cobranças pode agravar prejuízos a servidores enquanto auditoria sobre contratos suspeitos segue inconclusa
A crise dos empréstimos consignados em Mato Grosso ganhou mais um capítulo. Diante da falta de conclusão da auditoria que deveria analisar contratos sob suspeita de irregularidades, o Ministério Público Estadual pediu à Justiça que determine novamente a suspensão dos descontos realizados diretamente na folha de pagamento dos servidores públicos. A medida busca evitar que trabalhadores continuem sofrendo cobranças potencialmente irregulares enquanto as investigações seguem em andamento.
O pedido foi apresentado pela promotora de Justiça Vanilce Silva dos Santos após o governo estadual descumprir o prazo estabelecido judicialmente para concluir a auditoria dos contratos firmados entre servidores e instituições financeiras investigadas. Segundo informações do processo, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) alegou dificuldades para finalizar o trabalho porque parte das empresas não entregou a documentação necessária para a análise dos contratos, mesmo após solicitações oficiais.
Auditoria emperrada
Na manifestação encaminhada ao Judiciário, o Ministério Público sustenta que a continuidade dos descontos pode representar a perpetuação de cobranças cercadas de dúvidas e suspeitas. O órgão também pediu que as empresas investigadas sejam intimadas a apresentar imediatamente os contratos e registros exigidos para a auditoria. De acordo com o MP, a ausência desses documentos impede a verificação da regularidade das operações e dificulta a identificação de eventuais fraudes que possam ter atingido milhares de servidores estaduais.
O caso dos consignados se transformou em uma das maiores controvérsias envolvendo o funcionalismo público mato-grossense nos últimos anos. As denúncias vieram à tona após auditorias independentes apontarem possíveis irregularidades em contratos de crédito firmados por servidores. Desde então, o tema passou a envolver o governo estadual, o Tribunal de Contas, o Ministério Público, entidades sindicais e o Poder Judiciário. Enquanto não há uma solução definitiva, milhares de trabalhadores seguem acompanhando os desdobramentos do processo, que pode resultar tanto na suspensão das cobranças quanto na revisão de contratos considerados irregulares.