Governador em exercício defende enxugamento da máquina pública, promete economia bilionária e afirma que recursos devem ser destinados a áreas essenciais
A tesoura administrativa continua afiada no Palácio Guanabara. Em meio a uma ampla reformulação da estrutura do governo estadual, o governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, anunciou que pretende ampliar o número de exonerações e atingir a marca de até 6 mil cargos comissionados cortados. A medida faz parte de um plano de reorganização da máquina pública que, de acordo com o chefe do Executivo, busca reduzir desperdícios, aumentar a eficiência da gestão e liberar recursos para setores considerados prioritários.
Durante entrevista ao jornal Estado de São Paulo, Couto afirmou que muitas funções comissionadas não possuem justificativa técnica ou operacional para existir. Como exemplo, citou a recém criada Subsecretaria de Gastronomia vinculada à Casa Civil, estrutura que foi extinta, segundo ele, por falta de produtividade e não ter função prática. O governador interino defende que a redução de cargos seja acompanhada por uma política de valorização dos servidores efetivos, especialmente professores da rede estadual, que enfrentam defasagem salarial.
Enxugamento e tensão política
A iniciativa, no entanto, tem provocado desconforto nos bastidores da política fluminense. O corte de milhares de cargos indicados por partidos e grupos políticos aumentou o desgaste entre o governo e lideranças que tradicionalmente ocupavam espaços na administração estadual. Questionado sobre possíveis retaliações ou pressões políticas decorrentes da medida, Ricardo Couto minimizou os riscos, e afirmou que sua trajetória na magistratura o preparou para tomar decisões difíceis sem receio de desagradar interesses estabelecidos.
Além da reestruturação administrativa, o governador destacou ações voltadas ao equilíbrio financeiro do Estado. Entre elas está o bloqueio de R$ 1,4 bilhão de recursos do Rioprevidência que estavam investidos no Banco Master, operação que contou também com participação da Cedae. Couto demonstrou confiança na recuperação da maior parte dos valores e ressaltou que a continuidade de sua gestão ainda depende de uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre as regras de sucessão do governo estadual, julgamento que deverá ocorrer após o recesso do Judiciário.